55o. post – MC de 22 de junho de 2008

23 jun

O melhor time político e econômico da TV brasileira começa falando sobre as guerras quentes e frias no Afeganistão e no Oriente Médio. Israel não
consegue esmagar o Hamas e o campo de batalhas virou um atoleiro. A Síria se esgueira pelos bastidores em planos desesperados, Caio vira conselheiro
bélico e Diogo revela a lista de compras do Irã. Enquanto isso, a marmelada
do petróleo explode no Iraque, país sem empresas e sem concorrências – e
sem humor. Ironias e piadas com religião não são aceitas – nem lá, nem no
Canadá. Insultar crenças e minorias só vale nos Estados Unidos, e até Brigitte Bardot tem quase tantos processos quanto Diogo Mainardi. Ninguém sabe a diferença entre crítica e difamação, mas a justiça brasileira sabe o que é calúnia e o que é opinião. Apesar de ser fã dos EUA, Ricardo Amorim diz que faltam limites para a liberdade de expressão, e a conversa seguiu para aquele episódio da coluna do Diogo sobre os comentários anti-semitas na coluna do Caio – tudo devidamente documentado de forma compreensiva no 50o. post deste blog. E já que estamos falando em opinião: Obama rompeu a palavra e mudou a dele – mas isto não terá impactos políticos, e ele vai ganhar a eleição.

No segundo bloco, a tralha e o consumo começam a pesar na consciência. Para que guardar tanto lixo? Siga os conselhos minimalistas de Diogo Mainardi, e lave suas cuecas e camisas azuis com sabão de coco. O capitalismo é o melhor sistema de produção, mas consumir menos também pode trazer felicidade. Na imprensa, o Brasil virou um país sério – mas o assunto é o Dunga, que montou um time de Sonecas.

A seguir, Washington Heights: um cenário de guerra que vive do entra-e-sai
de imigrantes e que virou musical premiado da Broadway com uma mistura de jazz, salsa e hip hop. In the heights (site oficial aqui, trecho apresentado
no Tony Awards aqui) não tem facadas e foi criado por Lin-Manuel Miranda,
que conta sua própria história no artigo Scaling the Heights. No mesmo bloco, Ricardo Amorim – que assistiu à peça ainda na fase off-Broadway – tentou dar um show de informações e estatísticas, mas não conseguiu acabar de falar.

:-|

Para terminar, a verdade inconveniente de Al Gore foi um divisor de águas, e
a preocupação ecológica resultou no canal de TV Planet Green (site aqui,
comercial engraçado aqui). As multinacionais também querem se esverdear e a Honda lança um carro movido a hidrogênio – mas a pressão para a mudança de hábitos esbarra no bem-estar individual. Ainda na TV, a série softporn Swingtown, da CBS, fala sobre os modismos dos anos 70 – principalmente o da troca de casais. Caio não gostou, mas a produção parece interessante – pelo menos através do site oficial e dos promos no YouTube. Lúcia lembrou o filme Tempestade de gelo, de Ang Lee… mas daí já é covardia, né? Não dá para comparar um seriado criado por Mike Kelley (o mesmo de alguns seriados bem meia-boca como Providence, The OC e One Three Hill) com um filme de Ang Lee!

Fórum da semana & Músicas e locais da semana: mais uma vez em branco, pois o site do GNT não disponibilizou as informações :-|

Momento jabá: O santo sujo, de Humberto Werneck (site oficial do livro aqui)

Momento styling: Lúcia pode não gostar de Swingtown, mas estava bem vestida com um top estilo 70´s muito bonito que poderia ter sido tirado do figurino da série. Alguém sabe o que aconteceu com o cabelo do Diogo, que estava tão bom nas últimas semanas? Nesta edição do MC ele estava parecendo o Grandpa Munster… ainda mais porque estava sentado ao lado do Ricardo, alinhadíssimo exibindo uma linda gravata laranja de listrinhas que combinou muito bem com o terno azul marinho, criando uma imagem sóbria e bem jovem e moderna ao mesmo tempo. Lucas acertou no paletó de corte seco e que mudava de cor de acordo com o ângulo de câmera, oscilando entre o marrom (visto de frente) e o cinza (visto de lado) – e poderia ter levado o Oscar de melhor figurino da semana se não tivesse vestido o tal paletó com uma camisa azul que não combinava em nada com ele. Já Caio estava com a combinação perfeita, de paletó cinza escuro e gravata com estampa geométrica em preto-e-branco. Como ficou difícil escolher entre o Caio e o Ricardo, o Oscar de melhor figurino da semana foi divido em dois: uma parte fica com o Ricardo aqui no Brasil, e a outra vai para o Caio em New Jersey.

Momento fashion: Vale lembrar que nesta semana o GNT se destacou pela cobertura da São Paulo Fashion Week. A cada ano a cobertura do canal fica melhor e mais completa. As transmissões ao vivo e comentários dos estilistas são incríveis, e sempre me surpreendo em como Lilian Pacce e sua equipe conseguem transformar moda em cultura e informação acessíveis ao grande público – coisa que não é tão simples como parece. Aliás, Amir Slama vai estar em NYC em setembro para apresentar a coleção feminina da Rosa Chá… então fica a dica ao Manhattan: que tal levá-lo ao programa como entrevistado?

Momento estatístico: Inspirado no Ricardo Amorim, vou rebater com
estatísticas a declaração do Caio de que os gays são promíscuos e que isso é notado pelo aumento do número de casos de aids entre eles. Em primeiro
lugar, nem todos os gays são promíscuos, pois não se pode generalizar um
comportamento apenas pela orientação sexual de alguém. Em segundo lugar, e claro que existe promiscuidade entre os gays – mas isso não é uma
característica deles, mas sim dos homens em geral. A maioria dos homens é
promíscua – não importa a orientação sexual. No início da epidemia de aids, na década de 80, existiam 16 homens doentes para cada mulher – mas hoje a proporção é praticamente igual, sendo estatisticamente de 1,5 caso em homem para 1 caso em mulher. Entre 1994 e 2004, o número de casos de aids aumentou 29% em homens e 175% em mulheres – sendo que 90% destas foram infectadas por transarem sem camisinha em relações monogâmicas com o próprio marido ou namorado fixo. Isto significa que muitos homens que se dizem heterossexuais andam transando sem camisinha por aí – principalmente com outros homens! – e depois infectando suas parceiras, que acham que eles são fiéis…

Bônus da semana: Christina Ricci e Elijah Wood em uma cena ótima de
Tempestade de gelo, filme lembrado pela Lúcia na discussão sobre Swingtown.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection

Uma resposta to “55o. post – MC de 22 de junho de 2008”

  1. J.W.Kielwagen :-) às 19:18 #

    Mainardi falou bem do Brasil e do governo Lula. Nunca tinha visto ele fazer isso. Fiquei pasmo!

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