65o. post – MC de 21 de setembro de 2008

22 set

 
Direto dos Estados Socialistas da América, a Conexão Proletária começa falando do mundo que, (des)governado por George Bush, marcha sem rumo e enfrenta a maior crise financeira desde a queda da bolsa de valores de 1929. Ricardo tranqüiliza, e diz que pelo menos desta vez o mundo emergente está com dinheiro sobrando. O pânico ficou para trás – mas ainda há muitos problemas para resolver. O pêndulo da regulamentação voltou e os bancos foram para o beleléu: o governo tem que fazer a estatização necessária para evitar que o sistema venha abaixo – e vai se dar bem no final. Mas o descolamento é fajuto e não há tempo para tijoladas, e os agentes da mudança Barack Obama e John McCain, o comunista-limonada, voltam à pauta: em 2000, a Flórida decidiu as eleições. Em 2004, foi Ohio. Em 2008 será o Colorado – mas isso não é resposta.
 
No segundo bloco, a velha imprensa se ajusta à internet com a revista Consumer Reports. A bíblia do consumidor vende 4,5 milhões de exemplares por mês e tem 3 milhões de assinantes em seu site. O jornalismo útil é bem consumido – assim como o inútil também. A sacada é de David Cay Johnston, no artigo Attitude adjustment – how the internet could usher in a new golden age of consumer journalism, publicado no Columbia Journalism Review. Diogo Mainardi faz jornalismo de consumo falando sobre sabão em pó – assim como seu colega Reinaldo Azevedo, que publicou o livro O país dos petralhas. Para saber o que é um petralha, leia a resenha Alto lá, em nome da lei que o Diogo escreveu – e aproveite também para conhecer o blog de Reinaldo Azevedo (do qual Caio discorda de tudo, mas acha necessário). Brasil na imprensa: estamos no special report da The Economist em The new champions, e estamos blindados pela chinesada na Veja em As defesas da supereconomia.
 
[pausa para o momento styling: na semana passada, a gravata estilo seventies do Ricardo era a melhor da bancada. Lúcia deve ter gostado também, pois parece que se inspirou na peça para compor o look com que apareceu nesta edição do MC: top estampadão, colar de contas e cabelão, tudo no melhor estilo anos 70. O ensemble ficou ótimo e valorizou muito o seu visual, que andava meio cansado mesmo depois das férias. Falando em mudanças positivas: o Diogo também aderiu, e trocou a camisa por uma de tom azul-índigo-claro que, além de contrastar mais com o cenário e destacar o debatedor, deu uma boa renovada na imagem. Lucas, ao contrário, repetiu a camisa – mas tudo bem, pois a cor cinza-clarinho é ótima e combinou perfeitamente com o paletó risca de giz e com a gravata geométrica nas cores vermelho e branco – tão moderna e bonita como a do Caio, que surpreendeu pelo tom alaranjado incomum e que ficou muito elegante com o terno cinza de corte contemporâneo e com a camisa branquíssima. Mas a camisa branca não foi exclusividade dele: Ricardo também usou uma, com terno preto e gravata super fashion de listras azuis e acinzentadas. Desta vez não tem Oscar de melhor figurino da semana, pois é impossível escolher um só: todos os manhattans estavam simplesmente impecáveis. Fica um Emmy para cada um]
 
A seguir, cobiçado professor Paulo Blikstein (site dele aqui), que resolveu um nice problem e escolheu Stanford. Apesar de soltar um “laboratório de informática” (termo que eu não ouvia desde que estava na 8ª série), Paulo deu uma ótima entrevista sobre a nova profissão de designer educacional e sobre a tecnologia – que é tudo que foi inventado depois que você nasceu. Diogo, que foi bom aluno na escola, fez boas colocações sobre o estímulo à competição – mas o fato de todo mundo querer ser um winner gera mediocridade no sistema. E se os EUA atraem os melhores cérebros para as faculdades, o ensino médio tem baixos padrões e não descobre talentos. Tomara que Paulo tenha sucesso em seu projeto e consiga provar que não existem maus alunos. Certamente será mais fácil nos Estados Unidos do que no Brasil.
 
No quarto bloco, o outono da Lúcia e o ano-novo cultural de New York – época ideal para um retiro espiritual de alta e baixa cultura. As galerias estão fervendo, e a cidade ainda é barata. Sobrou até para o Dr. Rey e seu sotaque da Lapa – que só é pior aqui no Brasil pois o programa é exibido dublado (onde já se viu dublar um reality show?!). No cinema, várias indicações: Burn after reading, dos Irmãos Coen (site aqui, trailer aqui), Changeling, de Clint Eastwood (site aqui, trailer aqui), W, de Oliver Stone (site aqui, trailer aqui) e Righteous kill, de Jon Avnet, que traz Al Pacino e Robert de Niro como justiceiros veteranos e exaustos. O crime não compensa – e o filme também não. Veja o site aqui, o trailer aqui, e a cena de De Niro e Pacino em Heat citada pelo Caio aqui.
 
Fórum da semana: qual dos BRICs vai levar a maior e a menor tijolada? Caio, Lúcia e Lucas dizem a mesma coisa: “a maior, a Rússia. A menor, o Brasil.” Diogo e Ricardo concordam com eles sobre a Rússia, mas apontam a China no lugar no Brasil. E Ricardo completa: “A tijolada nos BRICs vai parecer um afagozinho perto da tijolada que os EUA e Europa levarão.”
 
Músicas e locais da semana: 1 – Exposição Great Power, de Martha Rosler no Mitchel-Innes & Nash. Música: Zala, com Lionel Loueke. 2 – Musical Thais, no Metropolitan Opera House. Música: original do espetáculo. 3 – Musical Fela, no 37 Arts Theater. Música: original do espetáculo. 4 – (Boa noite) – Filme: Trocando as bolas. Local: New York Mercantile Exchange. Música: The marriage of Figaro: Overture, de Mozart.
 
Bônus da semana: a high school americana pode ser ruim – mas é o mundo em que se desenrola a trama de um dos melhor seriados já feitos: My so-called life. Apesar de parecer mais uma série teen, My so-called life é muito mais do que isso. Quem assistiu, sabe – e quem não assistiu pode comprar o box recém lançado pela Shout e comprovar que esta produção de 19 episódios exibida no início dos anos 90 continua sendo a que tem o melhor texto jamais escrito em toda a história do Universo. Para relembrá-la, dentre as várias seqüências disponíveis no YouTube selecionei a cena do mal-entendido quando Jordan Catalano canta Red.
 
  
AVISO: a área de mídia da página inicial do fã-clube do Manhattan Connection foi atualizada com os seguintes vídeos:
– Videochat com Caio Blinder
Paulo Francis e a memória de um tempo em crise – reportagem do Fantástico em 1994
– Entrevista de Paulo Francis a Lucas Mendes em 1980 
 

5 Respostas to “65o. post – MC de 21 de setembro de 2008”

  1. Gerana Damulakis :-) às 17:47 #

    Gostei muito Paulo Blikstein, deu um show! No mais, aquela coisa que me irrita: a interrupção de uma fala que desejo que se conclua, mas o outro atravessa.

  2. Elaine Keiko :-) às 8:21 #

    Também gostei muito da participação do Paulo Blikstein, foi ótima e gostaria que ele voltasse em outros programas.

  3. Gerana Damulakis :-) às 17:55 #

    Eu gostaria que ele voltasse pelo menos em uma série de programas porque tem muito ainda o que dizer.

  4. Marcos :-) às 18:10 #

    Eu também gostei do cara. Mas já não há tempo nem para os próprios manhattans falarem, imaginem se ficarem trazendo mais gente… hehehe

  5. Adézio :-) às 22:41 #

    Marcos,

    Sou fã do Reinaldo Azevedo e do Diogo.
    Já comprei meu exemplar de O País dos Petralhas. Está ótimo, é claro!

    Parabéns pelo blog. Você sempre se superando a cada post!

    Grande abraço e vê se aparece por aqui!

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