76o. post – MC de 7 de dezembro de 2008

8 dez

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Os veteranos joviais da Subprime Connection começam falando sobre o presidente eleito e James Jones, seu soldado diplomata com pose de John Wayne. Amigo pessoal de John McCain, Jones vai ao trabalho de bicicleta e fica à vontade nas trincheiras da guerra de egos do alto escalão de Obama – que traiu, vai continuar traindo e fez bem, pois não pode contentar a todos. A direita está satisfeita e a esquerda que se dane, e no projeto eleitoreiro a economia será empurrada com a barriga. Enquanto isso, o agente 07 Diogo Mainardi já está preparado para a vitória de Obama em 2012.

No segundo bloco, a qualidade é horrorosa, 90% do conteúdo é crime e os americanos são desinformados por causa deles: os telejornais locais, que agora estão com seus âncoras em extinção devido à falta de anunciantes e aos altos salários. Enquanto isso, o 60 Minutes tem um pacote de estímulos: com idade média de 71 anos de idade e com uma ala jovem na faixa dos 63, os dinossauros do programa são campeões de audiência. O site do programa é compreensivo: tem podcast, vários vídeos, já abre com uma propaganda de Viagra e está aqui.

A seguir, a professora Regina Castro, da City University, fala em carioquês fluente sobre o centenário de Machado de Assis e sua obra cantada em mais prosa do que verso. Clarice Lispector é famosa pelo feminismo e Jorge Amado pela Sônia Braga, mas Machado é um realista anti-realista e pós-moderno tão universal quanto o filme Cidade de Deus. Melancólico, cínico e casmurro, não sabemos para que país ele escreve – mas sua obra completa está na internet para ser baixada de graça em um site do MEC dedicado ao escritor aqui. Para terminar, o momento jabá número 1: Lucas indica o livro Os melhores contos da américa latina, de Flávio Moreira da Costa.

O quarto bloco é dedicado a Slumdog Millionaire (site oficial aqui e
trailer aqui), filme de Danny Boyle sobre as entranhas de Mumbai (ou
Bombaim) que o Lucas já tinha comentado por alto e indicado para a Irene Ravache na semana retrasada. A alegria e a sujeira lembram o Brasil, e a salada temperada pelo chef Boyle saiu do circuito de arte e entrou no comercial misturando Hollywood e Bollywood com a exuberância caótica de um Oliver Twist glocal. E no momento jabá número 2, Ricardo indica o livro O divino em festa, de Nana Vieira.

Momento ManhaTIE Connection: a gravata azul do Lucas combinou com a camisa e o paletó – mas é impressão minha ou ela tinha mesmo estampa de cavalos como aquele lenço da Sarah Palin? A estampa geométrica da gravata bordô e branca do Caio estava melhor, e também combinou muito bem com a camisa amarela e o terno marrom. No Rio, Ricardo escolheu uma gravata bem moderna em tom escuro de vermelho com bolinhas brancas para chamar mais atenção do que aquelas infames colunas de madeira pregadas atrás dele. No pódio desta semana, Lucas fica com a medalha de bronze, Ricardo com a de prata e Caio, que não joga basquete, com a de ouro.

Fórum da semana: Machado de Assis é o maior escritor brasileiro de todos os tempos? Ricardo prefere Jorge Amado, mas Lucas, Diogo e Caio ficam com Assis. “Machado é o maior pela forma revolucionária na sua época, pela astúcia para desvendar a sociedade brasileira e pela perene relevância”, disse o Tigre de New Jersey.

Vinhetas da semana: 1 – Exposição The Objects Show, na R 20th Century Gallery. Música: You´d be so nice to come home to, com John Prouxl, Chuck Berghofer e Joe La Barbera. 2 – Fotos de 50 anos da Motown. Música: Signed, sealed, delivered I´m yours, com Stevie Wonder. 3 – Restaurante Sapphire Indian. Música: Paper planes, com M.I.A. 4 – (Boa noite) – Filme: Três vezes amor. Local: Tribeca Park. Música: I´ve got a crush on you, com Ella Fitzgerald. 

Bônus da semana: tentei encontrar aquela cena de Seinfeld com a Elaine na parada do Dia de Porto Rico, presa sob as arquibancadas e gritando “I need to unwind!”, louca para chegar em casa e assistir a 60 Minutes. Não consegui localizar esta cena específica – mas achei um divertido “tributo a Elaine Benes”, com alguns momentos hilários da personagem. Se você é como a Elaine e conta com o Manhattan Connection para “unwind” no final da noite de domingo, ou se é como o Caio e assiste às eternas reprises de Seinfeld na hora do noticiário, vai gostar :-)

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection

3 Respostas to “76o. post – MC de 7 de dezembro de 2008”

  1. Gerana Damulakis :-) às 20:05 #

    Ah, Marcos, a adjetivação usada por Caio, “melancólico”, para tratar o texto de Machado de Assis, é totalmente indevida. O Diogo ( o único que entende de literatura ali) até exclamou: “Melancólico?!!!”. Não deve ser repetida.

  2. Marcos :-) às 20:35 #

    É verdade, agora lembrei. O Diogo disse que o Machado era irônico, e não melancólico…

  3. Gerana Damulakis :-) às 21:52 #

    E Diogo está certo. Se, além de irônico, além do humor irônico, podemos adjetivar algo pertinente em relação ao texto do Bruxo do Cosme Velho, seria “amargurado”, porque apenas a amargura pode criar uma frase tal como: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”, como se lê no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, capítulo CLX.

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