84o. post – MC de 1 de fevereiro de 2009

2 fev
paulo-francis1
 
Na Conexão Sempre Perdida não faltou surubim – mas naquela ilha alpina faltou caviar e os donos do universo deram o cano. Davos estava ligada em Washington, e as reverberações não foram tão importantes quanto as  discussões sobre amor cósmico e cogumelos alucinógenos em Belém. Para quem não foi a nenhum dos eventos, Caio Blinder sintetiza o que aconteceu: estamos todos no mesmo barco – e vamos afundar como a Islândia, que derreteu e virou a Argentina de 2002. A Bélgica desapareceu e ninguém notou, mas o paraíso nórdico que tem uma lésbica de nome impronunciável no poder é um microcosmo que serve de lição para o resto do mundo: filhos de pescadores de bacalhau não podem ser banqueiros, e não adianta ser educado mas imprudente. 
 
No segundo bloco a imprensa continua babando no Obama, o presidente de blackberry que lança um bordão por dia, vive no YouTube e quer chegar às massas sem filtro. Os jornais se enrolaram na bandeira como em 11 de setembro, e seu bom comportamento envergonha. A imprensa deveria cobrar mais? Não, claro – diz o ambíguo chapa-mulata Caio Blinder. O estoque de piadas não é renovado há mais de um ano, e Obama não conquistou nenhum coração republicano e não vai resolver o problema do urânio do Irã apenas na lábia – mas escolheu a rede Al Arabiya para dar sua primeira entrevista exclusiva na televisão depois de eleito. Veja uma parte da entrevista aqui, e leia a transcrição completa aqui.
 
A seguir, Diogo Mainardi teve um grande início e um grande final na carreira de entrevistador, e mostrou as pernas malhadas na bike conversando com Nelson Hoineff, realizador do documentário Caro Francis, sobre o jornalista que era mais multifacetado que os outros e que foi a única pessoa do mundo a morrer de bursite. Polêmico e conservador, Paulo Francis faleceu há 12 anos – mas ainda tem muita importância (até para os cabecinhas idiotas). No filme faltam malucos, mas o material de arquivo do Manhattan Connection é inestimável em sua memória sentimental do personagem.
 
No último bloco, o tic-tac do Brad Pitt em The curious case of Benjamin Button, um romance contra o tempo que é um longo filme com uma longa lista de indicações ao Oscar. Caio deu uma volta nos ponteiros para dizer que a história nada tem a ver com o holocausto de Steven Spielberg e que a avalanche de efeitos especiais é grande. Mas tudo bem, pois como o Ricardo apontou, os efeitos do filme não ofuscam a trama – que por sinal é repleta de furos (a primeira coisa que eu pensei quando assisti foi: como alguém viaja pelo mundo sem passaporte?) Diogo Mainardi também já nasceu velho e não gostou muito da ideia, e Ricardo está torcendo para Slumdog millionaire. Eu concordo que o filme de Danny Boyle é excelente – se bem que gostei muito também de The wrestler (a que comecei a assistir até com certa relutância, pois não consegui ver mais do que 15 minutos do filme anterior do Aronofsky – mas o cara surpreendeu, fez um filme excelente e deu um show na direção. Aaliás, é justamente por não parecer um filme do Aronofsky que The wrestler é tão bom). Ainda neste bloco os manhattans falaram sobre a morte do escritor John Updike (a Veja publicou um obituário compreensivo com link para entrevista nas páginas amarelas aqui), e no momento jabá o Lucas indicou o livro Peixe morto, de Marcus Freitas – um romance policial com sexo e cozinha mineira (leia um trecho aqui).
 
Momento ManhaTIE Connection: Lucas manteve a estampa indiana da semana passada, Ricardo foi com uma gravata vermelha com bolinhas brancas bem jovial e Caio com uma bela gravata chumbo com bolinhas brancas discretas, super chique e que faria o Paulo Francis ficar roxo de inveja. Assim, o pódio desta semana fica igualzinho ao anterior: medalha de bronze para o Lucas, de prata para o Ricardo e de ouro para o Caiopó.
 
Fórum da semana: que mensagem você mandaria para Barack Obama? Caio cantou a marchinha “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí…”. E você pode mandar a sua própria mensagem pelo site da Casa Branca que o Lucas indicou.
 
Vinhetas da semana: 1 – Exposição Soho composites # 2, de Mike Figgis, na Milk Gallery. Música: Buscando, com Madrid de los Austrias. 2 – Filme Man on wire. 3 – (Reportagem do Pedro Andrade) – Espetáculos Garden of earthly delights e Fuerza bruta. 4 – (Boa noite) – Filme: Across the universe. Local: telhados de New York. Música: All you need is love, com Jim Sturgess.
 
Bônus da semana: o bônus desta semana é óbvio – pois quando o assunto é Islândia não há como não lembrar da Björk. Não sou muito fã das músicas dela, mas não há como negar que os clipes são verdadeiras obras de arte. Um dos meus preferidos é este aqui: All is full of love, dirigido por Chris Cunningham e um dos mais premiados da cantora.
 
  
AVISO: a área de mídia do fã-clube do Manhattan Connection foi atualizada com “Pedro´s Diary”, uma seleção de dicas de Pedro Andrade em vídeo. Ah, aproveite também para ver (ou rever) programas especiais e material sobre Paulo Francis no MC.
 

2 Respostas to “84o. post – MC de 1 de fevereiro de 2009”

  1. Thaynara :-) às 18:21 #

    Esse blog é a salvação da minha segunda feira!

    Bom, sobre o MC de ontem, a única coisa que eu não gostei foi do comentário de Mainardi sobre o livro Peixe Morto, dizendo que o investigador seria lento, conversado… tsc tsc tsc
    Como boa mineira eu discordo, é claro. Mas como grande fã de Mainardi, eu entendo!

  2. Federica :-) às 19:56 #

    AMEI a materia (e as gravatas) do Pedro Andrade!
    TUDO DE BOM!

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