110o. post – MC de 30 de agosto de 2009

31 ago

 

Iran inside out

Os filhos da Conexão Família abriram os trabalhos da semana falando sobre Ted Kennedy, um prevaricador que não tretava e que rugia e ralava. É exagero do Lucas? Confira em O príncipe, o leão e a leoa, coluna que ele escreveu sobre o senador. Caio Blinder, que lembrou de cerca de cinco senadores gigantescos que mofaram no senado, também fez sua homenagem ao falecido em seu texto Ted Kennedy, um gigante pelo nome e seus próprios méritos. A política americana está no lixo e perdeu o José Sarney de Boston – mas pelo menos ele lia um catatau de coisas até às 7 da manhã. Da família de tragédias o assunto viajou para a Grã-Bretanha, que quer libertar um terrorista, para a Líbia, onde o petróleo acabou, e para o Afeganistão, que é um paraíso de barbaridades onde os bandidos estão recrutando gente. Como no mundo real é difícil saber quem é mocinho e quem é bandido, pelo menos eles poderiam parar de jogar ácido nas meninas.

No segundo bloco, era uma vez uma terra que prometia leite, mel e laranja. Os pântanos e as bolhas imobiliárias da Flórida explodem de tempos em tempos, e o estado que tem um governador maluquete não tem indústrias high tech e vive da gastança dos aposentados. Cidades instantâneas viram cidades fantasmas, e quem chegar depois vai perder o bonde – mas tudo bem, pois os americanos são móveis por definição, e além de tempo bom a Flórida oferece refúgio aos cubanos e furacões que levam metade dos velhinhos.

A seguir, em New York o prefeito Michael Bloomberg manda e desmanda e não ouve nem obedece. Ele tem o toque de Midas e é intocável – pelo menos segundo The untouchable, perfil dele publicado na revista The New Yorker. O bilionário Bloomberg não tem saco para morar em Albany e é incorruptível, mas corrompeu o sistema com suas ambições de derrotar o Tédio Kennedy. Conclusão: como não-político ele é o melhor político, e vice-versa.

Para terminar, os críticos foram brutais e Quentin Tarantino levou pancada por seu filme Inglorious basterds (site com trailer aqui), uma fantasia histórica com mulheres fatais e vilões com charme brutal. Caio mencionou a crítica da revista The New Yorker e até o Pedro Andrade quis dar umas bolachas bolachas no diretor. Para uma pessoa que adora comer, dizer que um filme é indigesto é uma grande ofensa – mas eu discordo do príncipe do Village, pois adorei a fantasia absurda de Inglorious basterds. A estética do filme é excelente, a trama é criativa e os diálogos não são chatos e intermináveis como em Pulp fiction e Reservoir dogs, por exemplo. Isso sem falar no elenco muito bem escolhido por Johanna Ray – a mesma casting director que trabalha com David Lynch (sempre que vejo o nome dela nos créditos, sei que vem coisa boa pela frente). E falando em casting: Brad Pitt está ótimo no filme, mas fiquei surpreso em ver que ele está a cara do Marlon Brando no papel de Don Corleone! Fiz até uma montagem com as fotos para comparar, dá uma olhada:

  brad-marlon

Antes do final do bloco Caio ainda lembrou do nome de Inglorious basterds em Portugal: Sacanas sem lei (será que as distribuidoras portuguesas estão vindo ao Brasil contratar o pessoal que inventa nomes de filmes por aqui?), e Lucas falou da resposta que eu dei para a pergunta da semana passada, sobre um filme que falasse bem de uma grande corporação. Falei do filme Kinky boots – mas como eu disse naquele post do blog e também no e-mail, o Ricardo tem total razão: o filme fala bem de uma pequena empresa, e não de uma grande corporação. E se o programa da Fernada Young tem a pergunta nada a ver, eu também quero terminar este post com um link nada a ver: O gosto azedo da mesmice, coluna desta semana de Diogo Mainardi que não está diretamente relacionada aos assuntos tratados no MC – mas na qual vale a pena você dar uma olhada aqui.

O programa começou com Caio traduzindo “compromise” por compromisso em vez de acordo. Ricardo corrigiu – mas não adiantou muito, pois ao longo desta edição várias outras traduções de pé quebrado saíram da boca dos manhattans: além de “compromise” por compromisso, Caio traduziu “condo” por condomínio em vez de apartamento, Pedro traduziu “amenities” por amenidades em vez de facilidades, e Ricardo traduziu “assume” por assumir em vez de considerar e “city conselours” por conselheiros municipais em vez de vereadores. Engraçado como as coisas se conectam na Conexão [pun intended]! (Ah, e é melhor esclarecer logo: pun intended quer dizer trocadilho intencional, e não pão entendido.)

Momento ManhaTIE Connection: em referência às citações cinematográficas do Tarantino, esta semana em vez de medalhas cada manhattan vai ganhar um prêmio relacionado à sétima arte. Lucas escolheu uma gravata azul, vermelha e branca e levou o troféu Patriotic games. Caio, com sua gravata azul celeste, levou a menção honrosa Blue sky. Pedro não gosta do Tarantino mas vestiu uma gravata fininha no melhor estilo do cineasta – e por isso ficou com o troféu Reservoir dogs. No balneário, Ricardo fez uma homenagem ao cinema dos anos 80 com uma gravata vermelha de bolinhas vermelhas e ganhou o prêmio especial Lady in red.

MSCL1 Momento My so-called life:

My parents keep asking how school was. It’s like saying, How was that  drive-by shooting? You don’t care how it was, you’re lucky to get out alive.
Angela

Bônus da semana: o bônus desta semana é dedicado aos cinéfilos. Quentin Tarantino é um dos adeptos do Wilhelm scream, um efeito sonoro de grito criado em 1951 para um filme chamado Distant drums e que ao longo das décadas se tornou uma espécie de piada interna de produtores e editores de som que o copiam e o colocam em algum lugar de um filme ou seriado. No bônus do blog desta semana, veja uma compilação de cenas em que o Wilhelm scream aparece.

AVISOS:

A área de mídia do fã-clube do Manhattan Connection foi atualizada com os seguintes itens:
– Do Leblon para Manhattan… de Manhattan para o mundo!, matéria com Pedro Andrade publicada na Folha Zona Sul
– Link para o Twitter do Pedro Andrade

Publiquei mais um quiz sobre o MC no Facebook: descubra o que seu
assunto preferido no programa diz sobre sua personalidade clicando aqui.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection

4 Respostas to “110o. post – MC de 30 de agosto de 2009”

  1. JG :-) às 13:38 #

    Qual o nome da música de encerramento do programa do dia 30/08/09?

  2. Marcos :-) às 14:13 #

    A música é Via con me, de Paolo Conte. Já apareceu antes no MC.

  3. JG :-) às 3:28 #

    Obrigado Marcos.
    A música é realmente muito boa.

  4. wilson carlos teixeira PhD. :-) às 19:09 #

    gostária que os SRS , comentassem sobre a burrice do desenvolvimento do carro életrico, esqueceram um pequeno detalhe a corrente usada para abastecer de energia as baterias de litio,(viva para o Chile o unico produtor de litio no mundo ),da usina ate a tomeda existe uma perda de carga de até 40% de energia e que se todos os carros hoje fossem eletricos o mundo teria que triplicar as usinas eletricas sejam elas movidas a água,nucleares o oleo e carvão, sera´que ninguem consegue pensar um passo a frente.
    obrigado um dos fieís a seu programa

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