120º post – MC de 29 de novembro de 2009

30 nov

 

Os mascarados da Bang-bang Connection começaram dando uns tiros no reino encantado da rainha Elizabeth II. No inverno dos descontentes, nem Deus vai salvar os ingleses vítimas de bolhas – e só o tempo (que é a solução mais longa e mais provável) dirá qual reino é o mais podre: o Unido ou o da Dinamarca. Diogo Mainardi, ex-súdito e ex-aluno da London School of Economics, contou como Margareth Thatcher deu a volta por cima – e Lucas Mendes contou uma história sobre Richard Nixon digna das personagens de Kirsten Dunst e Michelle Williams no filme Dick. Enquanto isso, o mágico Obama tirou 30 mil soldados da cartola oportunista e o terceiro mundo pró-Irã continuou apostando na convulsão social.

No segundo bloco, o mais bem sucedido personagem das histórias em quadrinhos da Europa comemora 50 anos de resistência ao exército de Julio César e aos heróis americanos. Asterix rendeu filmes e vendeu mais de 300 milhões de exemplares – mas Ricardo Amorim gosta mais do Obelix do que do anti-herói cômico e debochado criado em uma noite para ensinar geografia ao Diogo. Falando em França, o presidente e a primeira dama apareceram em um episódio de The Simpsons – mas na vida real o Sarkô está viajando muito e a Carla está carente. Antes de irem para o intervalo com o mocinho Pedro Andrade os manhattans falaram ainda sobre os 40 anos de Sesame Street – programa que tem um site compreensivo guiado pelo adorável Cookie Monster (veja aqui) e teve uma versão brasileira com Sônia Braga (veja aqui).

A seguir, o tema do MC foi violência urbana. O programa recebeu a visita de Claudio Beato, que saiu do paraíso de Minas Gerais para dizer que o problema tem solução. O professor identificou bons exemplos em Belo Horizonte (onde houve integração do sistema de justiça) e em São Paulo (que incrementou a eficiência da delegacia de homicídios). Beato também respondeu a uma pergunta do Caio Blinder sobre Bogotá explicando que lá o case de sucesso se deu por conta da liderança e do envolvimento do prefeito. Enquanto isso, no Brasil o crime ainda é legitimado pelo governo de esquerda que faz uma equação contrária à lógica – pois políticas sociais genéricas não são suficientes. O assunto é interminável – mas o bloco é terminável, e acabou com uma entrevista de Pedro Andrade com Idan Raichel.

Para encerrar, os manhattans falaram sobre o genial contador de histórias Pedro Almodóvar. Seu novo filme, Abrazos rotos, mostra uma Penélope Cruz madura e sensual em um melodrama com traços do cinema noir. Não é o novo favorito do Pedro Andrade – mas é um espetáculo que mostra a maturidade do diretor. Eu adoro o Almodóvar, e concordo que mesmo um filme fraco dele é melhor do que a maioria dos filmes que existem por aí. Gostei de Abrazos rotos – mas tenho que dizer que achei o filme um tanto parado demais. Amei o começo, e acho que o filme foi excelente até a parte em que aparece a música da Cat Power. A partir deste ponto acho que o enredo perdeu o appeal e foi se arrastando até o final. A cena do restaurante, em que Judit revela o segredo da trama, tinha tudo para ser o clímax do filme – mas foi uma das cenas mais monótonas que eu já vi no cinema. Na verdade eu dou total razão ao Diogo, que prefere os primeiros filmes do Almodóvar, que eram mais escrachados, inovadores e engraçados. Aliás, o meu filme preferido dele é Laberinto de pasiones – do qual inclusive tirei o título “No vés que me cago?” para uma  biografia do cineasta que eu escrevi para uma revista em 2005. O site oficial de Abrazos rotos em espanhol está aqui, o site oficial em inglês aqui e o trailer aqui – e quem quiser ler meu texto sobre Almodóvar pode baixar as páginas escaneadas clicando nas figuras a seguir:

 

Não vou falar mais sobre o cenário do MC, pois já falei demais sobre ele no post passado. Além disso, qualquer pessoa que enxergue mais que o Mateo Blanco vê que o Ricardo e o Diogo não merecem aquela coisa nas costas deles, e que o melhor programa da TV brasileira deveria trocar aquela monstruosidade. Mudando de assunto, vou encerrar este post com notas pessoais: quero agradecer ao Lucas por ter se referido a mim como “blogueiro favorito”, e quero deixar um abraço para o Ricardo Rocha, que foi meu amigo na época da faculdade e foi quem me apresentou aos filmes do Pedro Almodóvar, do Luchino Visconti e do Robert Altman, entre tantos outros. Foi graças ao Ricardo que adquiri gosto pelo cinema e vontade de me profundar na história da sétima arte. Sem ele eu não seria o cinéfilo que sou hoje. Ah, e também quero mandar um abraço especial para a Heloísa Chagas, a sempre simpática amiga dos manhattans que faz aniversário esta semana. Parabéns!

Momento ManhaTIE Connection: a melhor gravata da semana foi a do Caio. O tigre de New Jersey fez uma homenagem a Almodóvar vestindo literalmente uma gravata de tigrinho digna do figurino de Laberinto de pasiones, e ganhou a medalha Sexilia. O mocinho Pedro Andrade foi com uma gravata preta e vermelha e ganhou o troféu Matador, e Lucas e Ricardo foram com gravatas parecidas de fundo azul e pontinhos brancos. Me lembraram as cores do filme Entre tinieblas, nas cenas em que a câmera mostra o ponto de vista da freira cozinheira que toma ácido – e dividiram a menção honrosa Sor Rata de Callejón (traduzida no Brasil como Irmã Rata de Esgoto – o melhor nome que Almodóvar já deu a uma de suas personagens).

 Momento My so-called life:

 
Everybody knows there’s, like, 50 guns at school at any given moment. And the fact that they haven’t gone off shows you what a totally safe place this is.

Rayanne

Bônus da semana: La concejala antropofaga (algo que poderia ser traduzido como A vereadora canibal), um curta-metragem que Pedro Almodóvar realizou durante as filmagens de Abrazos rotos com algumas personagens do filme dentro do filme. No final, mais uma prova do toque que transforma o banal em genial: o crédito de direção é de Mateo Blanco :-)


Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection

2 Respostas to “120º post – MC de 29 de novembro de 2009”

  1. Heloisa :-) às 23:26 #

    oi Marcos,
    vc fez falta com seus comentarios sempre inteligentes e oportunos, sera que esse cenario do Rio cai?
    obrigada pelo abraco
    welcome back
    Heloisa

  2. Marcos Alexandre :-) às 7:37 #

    Não sei se cai, mas esse cenário é um verdadeiro
    “TOMARA QUE CAIA”…. Hehehehe.

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