127º post – MC de 17 de janeiro de 2010

18 jan

 

Os abalados da Haiti Connection começaram falando sobre os choques naturais e fabricados da semana sísmica que passou. Na Indonésia o tsunami resultou em um acordo de paz no meio do inferno, mas no Haiti um terremoto é uma calamidade e não uma oportunidade: está na hora de enterrar os mortos e olhar para o presente, pois o futuro já foi por água abaixo desde 1804. O Brasil faz o que pode – mas pode pouco, e está lá matando tempo enquanto cada um está fazendo a sua parte. Em outros choques, a desvalorização do bolívar sacudiu a Venezuela menos do que deveria, e na Argentina a Cristina não vai cair – mas vai chegar ao final do mandato aos trancos e barrancos. Na Irlanda do Norte, Mrs. Robinson descolou um empréstimo para o garoto e provocou vários terremotos, e em Angola (o Haiti que deu mais ou menos certo) a violência contra a seleção do Togo criou um abalo. Será que a copa do mundo na África do Sul vai acontecer sem impedimentos?

No segundo bloco, o time da Fox News só tem pontas direitas. O canal é campeão e o técnico Roger Ailes é um gênio: da noite para o dia destronou a CNN e criou uma máquina de dinheiro e poder quando sacou que o futuro da notícia na TV a cabo era a opinião. A CNN é boa para cobrir guerras e terremotos, mas a Fox tem como mascote a analista política Sarah Palin, que se faz de pobre coitada e diz que representa a verdadeira América. Reservas de mercado e programas radiofônicos à parte, a esquerda não tem bandeira, o Google comprou a briga certa na China e Lula, o filho do Brasil fracassou não porque é um filme panfletário – mas porque é ruim.

A seguir, irritada com o oba-oba sobre o câncer de mama, Barbara Ehrenreich quer curar um câncer americano que não é no corpo: é na cuca. A escritora prega que os Estados Unidos abracem as virtudes do pessimismo e o adotem como convicção moral – como fez Diogo Mainardi. Seu livro Bright-sided – how the relentless promotion of positive thinking has undermined America ensina a evitar as armadilhas do pensamento positivo – e tem um defensor como Lucas Mendes, que escreveu a coluna Viva o pessimismo!

Para terminar, The hurt locker é um filme explosivo que corre silencioso e vai bombar no Oscar. É claro que no Brasil ele já foi devidamente bombardeado pela Imagem Filmes e ganhou seu nome nojento: Guerra ao terror. Apesar deste ataque conta sua integridade, The hurt locker é um estudo psicológico que mostra as cicatrizes físicas e emocionais da guerra no Iraque. É sucesso de crítica e a vitória está por um fio: se a diretora Kathryin Bigelow der uma coça no ex-marido James Cameron, vai ser a primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor direção. Pedro Andrade fez metade da lição de casa e explicou a gíria usada no título, mas eu não estou com ele na torcida. Acho que a direção é mesmo excelente dentro da proposta artística do filme – que aliás é de uma rara sensibilidade, principalmente nos minutos finais – mas o tema não me interessa, e em certas sequências a narrativa fica chata e irreal demais, pois acho que na verdade os soldados não ficam gritando nove mil vezes para convencer alguém a sair de um carro ou a soltar um detonador: se o inimigo não obedece, eles devem atirar de uma vez e pronto. No mesmo bloco, os manhattans lançaram a minha campanha de apelo às distribuidoras brasileiras para que elas parem de dar nomes medonhos aos filmes estrangeiros. Afinal, alguém já ouviu um DJ falando que vai tocar a música Mulheres solteiras, da Beyoncé? Se todo mundo acharia isso ridículo, por que aceitamos ver filmes com nomes como Preciosa – uma negona da pesada? Como diria o Pedro: pela hóstia!

O melhor: Finalmente descobrir a verdadeira identidade do Deep Throat. O pior: Lucas e Ricardo torcendo pelo filme Avatar no Oscar. Fórum da semana: Se o Manhattan Connection fosse um filme, que nome as pessoas loucas das distribuidoras brasileiras dariam a ele: Informação sem escalas, Direito de opinar ou Uma bancada da pesada?

Vídeo da semana: Novecentos e onze, com Wyclef Jean & Mary J. Blige.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection

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