193º post – MC de 13 de novembro de 2011

14 nov

Todo mundo sabe que o Manhattan Connection é o melhor programa da TV, mas ninguém sabe por que os manhattans nunca acertam quando se referem à diversidade sexual. Para eles, é fácil saber quando um ditador foragido vai ser encontrado e assassinado ou quando o preço do petróleo vai subir – mas saber o que é um travesti é impossível.

Nos comentários sobre o filme J. Edgar, Lucas Mendes e Pedro Andrade mais uma vez se atrapalharam com as definições de drag queen, travesti e crossdresser. Para os dois, e para quem ainda tem dúvidas, resolvi resgatar e publicar aqui parte de um texto que escrevi há alguns anos, na minha época de colunista de cinema. Nele, coloquei as definições corretas dos termos e exemplos cinematográficos:

Drag queens são homens homossexuais que usam nomes chamativos, fantasias extravagantes e maquiagem exagerada para se apresentar profissionalmente como caricaturas do sexo oposto em shows de dublagem geralmente seguidos de conversas engraçadas com o público. No sucesso australiano de 1994 The adventures of Priscilla, queen of the desert (Priscilla, a rainha do deserto), de Stephan Elliot, Anthony e Adam são drag queens que cruzam o deserto fazendo shows ao lado da amiga transexual Bernadette.

Transformistas também se vestem como alguém do sexo oposto para uma apresentação artística – mas ao contrário de drag queens, não usam nomes extravagantes nem fantasias exageradas, e não são necessariamente homossexuais. Em 1982, Julie Andrews foi indicada ao Oscar pelo seu papel em Victor/Victoria (Vítor ou Vitória), de Blake Edwards, em que interpretou uma cantora que se faz passar por um homem transformista que se faz passar por uma mulher. Complicado? Então tome cuidado para não confundir transformistas com crossdressers.

Enquanto transformistas se apresentam em manifestações artísticas, crossdressers são pessoas que gostam de vestir roupas do sexo oposto em ocasiões pessoais. Em 1994, Tim Burton realizou Ed Wood, cinebiografia do diretor famoso por ser o pior de todos os tempos. Uma das cenas mostra a filmagem de Glen or Glenda, primeira obra rodada por Wood e que conta a história de um homem que não sabe como contar à esposa que deseja vestir as roupas dela. O ano era 1953, e o personagem Glen foi interpretado pelo próprio Wood – que na vida real gostava de usar roupas da namorada. Os crossdressers também foram muito bem representados pelo veterano Danny Aiello, cujo personagem veste conjuntinhos Chanel para tomar chá com a namorada no filme Prêt-a-Porter (1994), de Robert Altman.

Altman é responsável também por um ótimo personagem transexual no surpreendente filme Come back to the five and dime Jimmy Dean, Jimmy Dean (James Dean, o mito sobrevive) de 1982. Transexual é alguém cuja verdadeira identidade está em desacordo com o sexo com o qual nasceu. Depois de uma curta e mal-sucedida carreira no seriado Beverly Hills 90210 (Barrados no baile), Hilary Swank ganhou o Oscar e o Golden Globe por interpretar Tenna Brandon, que vai para uma cidade do interior e, mesmo antes de passar pelo processo cirúrgico de adequação, passa a viver como homem. A história de Teena, filmada no ano 2000, rendeu mais de trinta prêmios para o filme Boys don’t cry (Meninos não choram), de Kimberly Peirce.

Enquanto os transexuais são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico e procuram alterá-lo cirurgicamente, os travestis são pessoas homossexuais que se apresentam como pertencentes ao sexo oposto durante as 24 horas do dia, mas sem rejeitar seus órgãos genitais. Ganhador do Oscar e do Golden Globe de melhor filme estrangeiro de 1999, Todo sobre mi madre (Tudo sobre minha mãe), de Pedro Almodóvar, mostra um caminhoneiro que se torna travesti, coloca seios e passa a apresentar-se como mulher – porém mantendo seus órgãos sexuais masculinos.

Fã-clube do Manhattan Connection

5 Respostas to “193º post – MC de 13 de novembro de 2011”

  1. ana cristina burjack :-) às 22:11 #

    Boa noite Marcos!

    Muito bacana as suas explicações, muito obrigada, tembém faço parte da turma que não separava correntamente uma drag queen de um travesti, espero, de agora em diante me situar melhor nesta diversidade.

    Ana Cristina Burjack

  2. Henrique :-) às 19:20 #

    Com a volta do Amorim pra SP, ficou realmente clara a diferença de interação entre os integrantes da equipe. Pra quem começou a acompanhar o programa há pouco tempo, talvez não faça tanta diferença, mas pra aqueles que assistem há muitos anos – o meu caso – deu uma nostalgia bacana o programa da semana passada. Fica tudo muito mais dinâmico quando ou o Amorim ou o Mainardi estão em NY com o Lucas, o Blinder e o Pedro Andrade. Poxa, Globo, não tem como pagar umas passagens aéreas pros caras de vez em quando para irem à gravação em NY? Nós, telespectadores, agradeceríamos!

  3. Marcos Alexandre :-) às 20:17 #

    Boa sugestão!

  4. Robson :-) às 10:13 #

    isso q eu chamo de esclarecedor!rs
    Agora eu digo ao Diogo,suas camisas sao iguais sempre ou eh sempre a mesma?rsr Roberto Carlos começou a desenvolver o toc com as cores da roupa!!kkk.brincadeiras a parte um abraço

  5. Melchiades Gonçalves da Silva :-) às 10:25 #

    Muito bom Marcos Alexandre, parabens! Melchiades.

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