190º post – MC de 23 de outubro de 2011

24 out

Os saltimbancos do Espetáculo Sem Fim foram direto ao ponto: o fim brutal do Kadafi, que morreu no exercício da ditadura. Se ele morreu lutando ou fugindo é uma questão a ser decidida pelo Nostradamus de New Jersey e pelo vidente, profeta e paranormal Diogo Mainardi, que mandou beijinhos e aplausos para o Sarkozy e para o Obama. O quiromante Ricardo Amorim leu a mão da Líbia e previu que o fundo do poço do petróleo vai ser mais fundo – e que o céu é o limite. Tudo começou com os radicais moderados na Tunísia – e Vamos desejar os melhores votos para a Tunísia, até por nós. Enquanto isso, a crise na Europa nunca foi um drama e continua uma farsa – e a eleição na terra da rainha Cristina mostra o outro lado da mesma moeda. Por aqui, o time da dona Dilma ganhou cartão vermelho e no México a poesia é a arma dos meheecans que protestam em prosa e verso: ¡Vamos Mantequilla! ¡Orgullo!

No segundo bloco os manhattans receberam o convidado Sergio Herz, que contou como sua avó começou a Livraria Cultura alugando livros para os vizinhos. Antes do intervalo, Pedro Andrade mostrou o musical Addonis Family On Broadway. Não sei de onde tiraram este nome – mas espero que tenha sido um erro genuíno e que isso não seja obra de algum funcionário de distribuidora brasileira de filmes trabalhando na produção do programa que resolveu escolher um título escabroso para a peça The Addams Family

Esta edição encerrou com a boniteza de Ryan Gosling, ator canadense com sabor para todos os gostos que começou comendo muito arroz com feijão em filmes independentes e hoje é o sucessor do cinquentão George Clooney – e da Christina Aguilera. Já vimos o filme The ides of March – e pelo jeito já vimos Drive também, já que este é um mix de Quentin Tarantino e David Lynch (de qualquer forma, valeu a boa fica de filme como há algum tempo não víamos no MC). Depois dos protestos folclóricos e das 10 cidades americanas mais zangadas, Lucas Mendes nos deixou com duas dúvidas: se abóbora afunda e se o Pedro Andrade tem mais boniteza que o Ryan Goslin. Para responder à primeira questão, basta viajar para Veneza e jogar uma abóbora no canal. Para responder à segunda, é mais fácil: para a área de mídia do fã-clube do Manhattan Connection e assista ao Pedro Andrade Reel. Acesse clicando na imagem abaixo. It´s reel good.

Fã-clube do Manhattan Connection

189º post – MC de 16 de outubro de 2011

17 out

Os iletrados da Conexão Infernal começaram dando um banho de sangue na matança nossa de cada dia. Não somos anjos, mas as esquinas do mundo estão mais pacíficas, seguras e civilizadas. No livro The better angels of our nature: why violence has declined (trecho aqui), o atrocitólogo Steven Pinker atirou com uma bazuca de estatísticas e bebeu nas fontes filosóficas clássicas. Como assim, ô Steven? A história não é linear – mas a trajetória é positiva e ele tem total razão. Quanto ao restante do bloco, ninguém tem razão mas os manhattans chegaram a algumas conclusões: o Irã tem culpa no cartório, nunca (jamais!) se pode acreditar no governo e a imprensa nunca mente. Ah, e o Kadafi vai ser morto nesta semana.

No segundo bloco o MC recebeu o convidado Robert Henry Moser, magrelo capoeirista da nova geração de brasilianistas com enfoque cultural. É dele o livro Luso-American literature: writings by Portuguese-speaking in North America (trecho aqui), que tenta fazer uma conexão com os brazucas que não conseguem transmitir e-mails nem sentimentos profundos. Outro livro que ele escreveu durante as greves da USP foi The carnivalesque defunto: death and the dead in modern Brazilian literature (trecho aqui).

Depois de três livros indicados em dois blocos, achei que a conexão literária havia acabado – mas não tive total razão e as dicas de livros continuaram. A seguinte foi Life itself: a memoir (trecho aqui), de Roger Ébert, homem de jornal, TV e blog que vive para o cinema e foi tema desta coluna de Lucas Mendes. Ébert tem mais audiência – e provavelmente mais polegares – que a criatura do Frankenstein e, muito a contragosto, criou uma lista em ordem alfabética de 10 melhores filmes. Já faz tempo que sou um leitor do Ébert, mas somente depois de assistir aos filmes, pois como praticamente todos os críticos ele costuma revelar surpresas do enredo em seus textos e isso não é bom. Na verdade, o melhor são as curiosidades da produção que ele conta e as comparações que ele faz com outros filmes, o que para mim sempre resulta em dicas interessantes. Falando em dicas, Pedro Andrade e Caio Blinder indicaram a série Homeland, que quando começou eu nem pensei em ver por achar que era apenas mais uma história de guerra. Parece a trama é melhor que isso, então já peguei os 3 primeiros episódios para dar uma olhada. Na semana que vem eu mostrarei o polegar para cima ou para baixo – ou na posição mineira. A última dica de livro foi Os Chicos, de Gustavo Nolasco e Leo Drumond.

Fã-clube do Manhattan Connection

Eu prefiro os twitteiros drogados

12 out

Esta mensagem é dedicada aos twitteiros e afins que reclamam que eu os censuro. Em primeiro lugar, agradeço sinceramente pelo poder que vocês me dão. Nunca  pensei que eu podia controlar pensamentos alheios. Aliás, ordeno que vocês depositem todas as suas economias na minha conta corrente. Agora!

Em segundo lugar, quero dizer que eu criei o fã-clube do Manhattan Connection em 2007 e desde então a ele dedico muitas horas todas as semanas. É um trabalho que faço por admiração ao programa e a todos os seus integrantes. Um trabalho do qual me orgulho e pelo qual me esforço – e muito. Por que eu deveria aceitar que pessoas entrem no meu espaço (dedicado aos fãs do MC!) e nele escrevam besteiras? Basta que criem seuspróprios blogs e páginas, e neles falem o que quiserem. Nada as impede – só a sua própria imbecilidade (o que comprova que o Diogo estava certo).

Em terceiro lugar, o que o Diogo falou não foi ofensa. Foi um comentário de humor negro, que algumas pessoas podem achar de mau gosto pois muitos pais têm filhos drogados e certamente prefeririam que estes trocassem as drogas pela internet, e nunca o contrário. Todos os que pensam dessa forma, e demonstraram um mínimo de inteligência escrevendo suas opiniões com fundamentos e em português razoavelmente correto, tiveram seus comentários aprovados. 

Para encerrar, um conselho (ou uma ordem, caso você seja um dos que me considera capaz de controlar pensamentos): se você não gosta do Diogo Mainardi, não o assista. A maior prova de que você é realmente um imbecil é o fato de você perder seu tempo ouvindo a opinião de quem não gosta, só para depois fazer críticas vazias (e cheias de erros de português).

Ninguém deve deixar que seu espaço seja invadido por imbecis. E isso não é censura. É liberdade.

Marcos Alexandre

188º post – MC de 9 de outubro de 2011

10 out

Voltando ao horário atrasado, a 900ª conexão veio por mares já navegados – e que não estão para peixe, pois o tsunami político, econômico e social avança pelas 4 estações. No outono americano, caem as folhas e a esperança: é a vez da esquerda e vem aí o inverno dos descontentes. Pela janela, o repórter Caio Blinder viu 99% de anarquistas e velhos hippies inspirados pela Adbusters. Ricardo Amorim, o inimigo e bode expiatório, deu os três estágios de negação e explicou que a culpa é do Lucas Mendes. Enquanto isso, a Grécia morre na praia do Diogo Mainardi – que como Ulisses evita o canto da sereia (e espera que toda a Europa faça o mesmo). Mudando de assunto: as mulheres merecem e a banqueira ganhou o prêmio Nobel da praz. Outro ganhador foi Thomas Tranströmer, que tem nome de robô e bons tradutores (certamente nenhum deles é brasileiro). Ricardo ainda indicou alguns nomes para o prêmio Nobel das bolhas, e previu: na eleição de Obama contra Obama, Obama perde.

A seguir, os manhattans lançaram ao mar uma esquadra de livros sobre o descobrimento da América. Caio ficou mareado e preferiu a navegação digital com iSteve Jobs, que criou uma relação afetiva com um bagulhinho e virou santo. Seus devotos são idiotas e imbecis – mas pelo menos não são drogados. Navegando de volta ao ano 900 antes de Cristo, os manhattans passaram pela Bulgária, onde foram buscar especiarias com a Dilma e o Batman.

No terceiro bloco, um convidado: Nelson Pereira dos Santos, precursor do cinema novo que fez um documentário bacana sobre o único carioca universal além do Pedro Andrade. O filme mostra a imagem do Brasil que poderia ter sido, e conclui que os Estados Unidos é muito bom mas é uma merda, e o Brasil é uma merda mas é muito bom. Eu até poderia falar mais sobre a entrevista do Nelson, mas ao acessar o site dele, vi – em destaque! – o pior erro de português que alguém pode cometer. Não sei se algum país é mesmo uma merda – mas sei que o site do Nelson é, e portanto não vou falar mais sobre ele (que só pode ter sido escrito por algum tradutor. Ou pior: por um funcionário de alguma distribuidora brasileira de filmes). Sobre o Tom Jobim também não há muito o que dizer, pois eu só gosto de 4 músicas brasileiras – e nenhuma é dele. Além disso, bossa nova me lembra a mãe da Brenda em Six feet under, que só ouvia Tom Jobim e afins. Era divertido, mas desde então sempre associo bossa nova a pessoas loucas. Encerrando o post de hoje, fiquem com algumas fotos de New York tiradas pelo melhor guia da cidade.

Fã-clube do Manhattan Connection

187º post – MC de 2 de outubro de 2011

3 out

Quase todos os economistas, o oráculo Ricardo Amorim e os comissários do voo 899 morrem de inveja dos mediterrâneos festeiros. Depois do porre, eis a questão: quem paga a conta? O problema não é a conexão grega – é a conexão romana com seus maridos traídos. Os gregos deveriam ser mais espartanos, e se os alemães zorbarem os caipiras terão que vender o Coliseu, as gôndolas, o canal (e o Titanic) para pagar a conta. Todd Buchholz sacou bem, mas só escreveu besteiras e não deu uma explicação rápida (e sofisticada) como a do Caio Blinder: os malteses – isso é sério – estão por trás da crise. Resta rezarmos para que os deuses gregos salvem os correios, os Estados Unidos, a Europa, o Brasil e principalmente o Yemen – que vai ganhar a próxima copa do mundo.

A seguir, Herman Cain colocou a mão na massa – mas vai se queimar e as primárias podem acabar em pizza. Chris Christie tem gordura, bagagem e uma certa coragem – mas não é o que a direitona quer. Lucas Mendes gostou do plano 999 – que é muito bacana mas não é implementável. De política os manhattans passaram a falar sobre terroristas e acabaram nos desafios interessantes que a copa do mundo e o Senhor Futebol vão criar.

No terceiro bloco, a novidade é o velho: na temporada de lançamentos na TV americana a nova safra viaja no tempo pela porta aberta por Mad Men. O presente é complicado, o futuro é incerto e o passado é glamuroso – e no bacanal grego das primeiras feministas, Pedro Andrade acha que Pan Am é muito melhor que The Playboy club, que não tem sacanagem e pode ficar entediante. Sabemos que algumas pessoas tocam mais na revista, mas eu não concordo com o Pedro e acho que a série começou bem: a trama é interessante, o roteiro é criativo e os personagens são cativantes. Pan Am é que foi uma decepção: mesmo com a Christina Ricci no elenco, a série começou fraquíssima. O Pedro só tem total razão na diferença da produção entre as duas: em Pan Am o visual e os figurinos são perfeitos, e em The Plavboy club a cada momento parece que a gente vai ver alguém falando em um pager. Ou pior: escrevendo em um blog. Depois da xaropada protofeminista, Lucas fez uma conexão cultural com Ismael Nery e Murilo Mendes, que vinha de Juiz de Fora mas não tinha uma cabecinha provinciana (nem excesso de gostosura). O momento jabá final ficou com o Pedro, que indicou a revista Amarello.

Quase perdi o primeiro bloco desta edição do Manhattan Connection, pois pela primeira vez desde que estreou na Globo News o programa começou na hora certa e não com 20 minutos de atraso. Por sorte consegui ver desde o começo, e acho que esta foi uma das melhores conexões dos últimos tempos. Teve até cena de sexo (toque aqui) – e finalmente os manhattans falaram sobre as séries de TV que a gente assiste por aqui em vez de criticarem filmes ruins em exibição por lá. Pena que eles não falaram sobre Two broke girls, que para mim está sendo um enigma: ou é muito boa ou é muito ruim. Ainda não consegui decidir.

Mais uma vez encerro a nossa conexão com o Pedro, agora mostrando que também é bom de briga:

Fã-clube do Manhattan Connection

186º post – MC de 25 de setembro de 2011

26 set

Os despatriados da Conexão Desprevenida não perderam o juízo como os 193 países membros da ONU, onde manda – e fala palavrão – quem pode. Caio Blinder também falou um: internacionalização. E deve ter sentido vontade de falar outro para o Ricardo Amorim, que tentou explicar as duas maneiras de reconhecimento de um país pela ONU, um clube terrível de excressências com coisas absurdas. Chegou a hora da ONU reconhecer um país… Israel – mas a janela se fechou e a pendenga não tem solução: a guerra vai ser fria com momentos de fervura. E o Afeganistão? Continua uma confusão danada – tanto quanto a conversa dos manhattans. Eu não entendi nada deste assunto sobre a ONU e, como estou em uma fase de rever alguns clássicos do Hitchcock, só fiquei lembrando do Cary Grant em North by Northwest.

A seguir, mais conversa sobre política: os manhattans falaram sobre os presidenciáveis nos Estados Unidos (eu voto na Oprah!) e sobre o livro Confidence men: Wall Street, Washington, and the education of a president, de Ron Suskind. Não sei o motivo de tanto debate se tudo pode ser resumido em poucas palavras: o povo é burro e vem com soluções malucas em pesquisas idiotas. E Donald Trump não faz cinema, ô cara!

No terceiro bloco a economia estava dormida, mas o Ibope ajuda quem madruga – principalmente o Pedro Andrade, um homem madrugador que faz qualquer negócio (até mesmo quando cai um toró). A crise colocou dinheiro na TV local e enquanto houver pessoas como o Caio, que gostam de ver árvores caindo na cabeça dos vizinhos, os noticiários continuarão faturando. Mas nem todas as notícias sobre notícias são boas:  elas estão em último lugar na internet e só a pornografia continua indo bem – e  faturando quase tanto quanto a Padaria Aracajú. O bloc0 encerrou com (ou melhor, sem) as surpresas do Emmy. A premiação foi a pior dos últimos tempos, mas teria servido de gancho para uma conversa mais interessante para nós: em vez de TV local, o MC poderia ter abordado a TV dos EUA que a gente vê por aqui – que aliás nesta semana que passou trouxe coisas bem interessantes: vimos a estreia da nova temporada de Two and a half men com Ashton Kutcher como protagonista e a estreia de The Playboy club (com uma trama gay bem diferente). Além disso, ontem começou a primeira temporada de Pan Am, a última de Desperate housewives e a décima de Family guy (que é a melhor comédia da TV e o seriado preferido do Diogo Mainardi). Não teria sido bem melhor ouvir os manhattans falando sobre isso do que sobre o NY1 e o gato Willow?

Fã-clube do Manhattan Connection

185º post – MC de 18 de setembro de 2011

19 set

Segundo os pestes da Conexão Coco no Chão, Medvedev dançou ao som da balalaika kitsch no baile da censura. O paspalho é um mero fantoche que ainda está dançando – e que vai dançar mais ainda quando o rei do baião voltar ao poder. Saindo do samba, o vírus da rebelião se espalhou e fez o coqueiro balançar na África e naquela ilha caribenha. Caio Blinder não é o rei da cocada mas contagiou-se com a matéria The worst of the worst: revisited, da Foreign Policy. E enquanto Diogo Mainardi espera que o espirro caia em cima da África, Ricardo Amorim dá boas sacadas na Europa – e de longe vê a Dilma dançando em cima do muro da ONU com o fantasma de Oswaldo Aranha.

A seguir, os manhattans receberam o convidado Bernardo Paz, jardineiro que criou Inhotim – e que pelo jeito deve cultivar (e consumir) outros tipos de plantas também. Ele entende de pessoas, de economia e de terrorismo e criou a imagem da vida contemporânea que torna a pessoa mais inocente, mais criativa e melhor – e por isso é o homenageado deste ano da Brazil Foundation. Bernardo fez 50 anos em 5 e parou nos anos 70 com sua filosofia riponga, mas de qualquer forma Inhotim parece ser um admirável mundo novo que vale a pena ser visitado – mesmo que esteja infestado por arte brasileira contemporânea.

No terceiro bloco, Pedro Andrade foi contagiado por Contagion, último filme de Steven Sôderbérgui, um dos mais ecléticos diretores e o segundo a ter duas indicações ao Oscar no mesmo ano – feito apenas alcançado por outro fulano em 1938. Por dinheiro, por amor e por paranoia, Sôderbérgui fez um filme para amedrontar as pessoas com um vilão óbvio, mas por mais que o Pedro tenha gostado eu não pretendo assistir. Há poucas semanas assisti a Mildred Pierce (um filme de 1945 dirigido por aquele fulano) e pretendo continuar na linha 40’s por enquanto – pelo menos até o MC indicar um filme realmente interessante. Para encerrar, os manhattans falaram sobre o livro vagabundo The rogue – searching for the real Sarah Palin, de Joe McGinniss. Nele o autor revela com quem Sarah Palin dormiu, o que cheirou e o que deixou queimar na cozinha – e provavelmente se ela também dançou a dança caribenha com os policiais de New York.

Para encerrar uma conexão com tantas dancinhas (em que só faltou a da Elaine em Seinfeld), fiquem com o nosso DJ preferido, Pedro Doce de Coco Andrade:

Fã-clube do Manhattan Connection