121º post – MC de 6 de dezembro 2009

:-)

 

Os falsos brilhantes da Conexão Baú do Tesouro começaram a edição desta semana anunciando escândalos de cama, meia e panetone. Em Honduras o Brasil começou a sair de fininho, e vai se render no dia 27 de janeiro – data em que o novo e legítimo presidente (que será ruim como os de ontem, de hoje e de amanhã) tomará posse. Caio deu uma de Zina e mandou um salve para o presidente da Costa Rica, e Ricardo explicou que a crise americana já passou - mas que a recuperação forte e sustentada ainda está longe, pois os Estados Unidos ainda estão rodando a maquininha de imprimir dinheiro feito uns malucos. Na conversa sobre Obama, Lucas impediu que a granada do Caio explodisse o português – mas o tigrão não conseguiu terminar sua pérola de raciocínio e só disse que o problema da guerra é difícil de resolver. Enquanto isso, os reinos da Dinamarca, da China e dos Estados Unidos continuam podres e estão baseando suas metas climáticas em ideias erradas. Até a Rússia fez uma malandragem – e o Lula cheio de gás é um perigo. Antes do fim do bloco, Ricardo fez o primeiro momento jabá e indicou o livro Superfreakonomics.

A seguir, o mar de Dubai não está para peixe. No pobre vilarejo de
pescadores os dubaianos acabaram com o petróleo e construíram ilhas artificiais que o mundo comprou. É uma coisa cafonona – mas a parte boa é que a mania de grandeza do sheik Mo pode ser um farol de abertura no oriente médio. E enquanto os dubaianos ouviam Caetano Veloso e comiam acarajé, os brasileiros assistiram a mais uma disputa entre quadrilhas no escândalo panetonegate. Brasil na imprensa: além dos editoriais, deu o filme para cegos Além da luz.

No terceiro bloco o assunto foi a revista National Geographic, a bíblia da fotografia que lançou o livro National Geographic image collection (trechos e fotos aqui) com imagens icônicas e algumas nunca publicadas. A National Geographic foi lançada em 1888 – mas era chata até que Graham Bell, um rapaz esperto, revitalizou a revista com fotos e a transformou em um arquivo da humanidade. Mas hoje o espaço está contaminado - e por ironia da história a revista de Graham Bell será derrubada pelos idiotas que fazem filminhos em seu telefones celulares. Antes de irmos para o intervalo com o abusado Pedro Andrade, Lucas mostrou a matéria Portraits of power publicada pela revista The New Yorker. Para ver as fotos e ouvir comentários do fotógrafo Platon clique aqui.

A conversa no quarto bloco foi sobre as pérolas negras do cinema americano. Nem tudo é um conto de fadas como na história da primeira princesa negra da Disney: em Precious a história é pesada, e Blind side pega a bola e segue o mesmo enredo precioso. Os adolescentes são vítimas de abusos e os blogs dubaianos acham que esses filmes degradam as famílias negras – mas o final do ano pede redenção, e o Oscar vai para a Mo´Nique. Não pretendo ver Blind side e ainda não consegui assistir a The princess and the frog (que eu vou ver mesmo sem ter principinhos), mas vi Precious e fiquei impressionado. O Pedro já tinha dado a dica no Facebook há um tempo, então dei uma olhada no filme assim que ele ficou disponível. Mo´Nique está realmente incrível e Precious é bom – mas é tãããããão pesado que eu tive que ver em três partes para amenizar um pouco a história da menina que, como Tiger Woods, não para de levar tacadas. Caio fez uma análise de tigrão para tigrão e explicou que o sexo com a sueca secou – mas como Woods tem sangue verde de grama e de grana, ele quer a garçonete, a privacidade e a sueca que está bem na fita. No fim do bloco, mais um momento jabá: o livro O sono do meu bebê, de Renata Soifer Kraiser.

O cenário tomara-que-caia ainda não caiu – mas os manhattans não se deixaram abater e estavam de super bom humor nesta edição. O Pedro aprendendo a dançar em um palco da Broadway fez meio mundo querer mudar de profissão e ser professor de dança, e o Lucas corrigindo o Caio – e  o Diogo perguntando “você terminou o raciocínio?” – foi um momento digno de entrar para os arquivos antropológicos da National Geographic. Só faltou os manhattans terem falado sobre The Cleveland show – afinal, o spin-off de Family guy estrelado por uma família negra é quase tão controverso quanto os filmes comentados e não está agradando a gregos e dubaianos como a Fox esperava.

Momento ManhaTIE Connection: será que foi coincidência o fato de os três manhattans de NYC usarem gravatas vermelhas? Vendo-os assim a primeira imagem que me veio à mente foi Brian Griffin, que quando quer se vestir mais arrumado coloca uma gravatinha vermelha pendurada na coleira. Mas não me interpretem mal – comparar alguém ao Brian é um elogio, pois Family guy é a melhor comédia da TV e o Brian é o melhor personagem. Sendo assim, esta semana o Lucas, o Caio e o Pedro ganharam o troféu Brian Griffin, uma taça de martini e um exemplar do livro Faster than the speed of love. E o Ricardo, o único diferente com uma gravata lilás de listras, ficou com a medalha My precious.

 Momento My so-called life:

How did locking kids in their room get such a bad rap?

Graham

Bônus da semana: os manhattans do balneário costumam confundir fotógrafos. Uma vez o Ricardo pensou que a Annie Leibovitz era homem, e agora o Diogo achou que o Richard Avedon, que morreu em 2004, tinha feito as fotos para a matéria Portraits of power publicada esta semana na revista The New Yorker – o que seria impossível, pois quando Avedon morreu muitos dos retratados não estavam nas posições de liderança em que estão hoje. Resolvi então colocar aqui no bônus o trabalho de um fotógrafo inconfundível: Bruce Weber, o meu preferido. Trata-se do clipe da música Se a vida é, da dupla Pet Shop Boys, dirigido por Weber nos anos 90. E com este clipe faço também uma conexão especial com o Carlo Gomez, leitor do blog que mora em New York e que me mandou um DVD raro do filme Chop Suey – uma obra do Weber que eu sempre quis ver. Obrigado, Carlo!

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection


120º post – MC de 29 de novembro de 2009

:-)

 

Os mascarados da Bang-bang Connection começaram dando uns tiros no reino encantado da rainha Elizabeth II. No inverno dos descontentes, nem Deus vai salvar os ingleses vítimas de bolhas – e só o tempo (que é a solução mais longa e mais provável) dirá qual reino é o mais podre: o Unido ou o da Dinamarca. Diogo Mainardi, ex-súdito e ex-aluno da London School of Economics, contou como Margareth Thatcher deu a volta por cima – e Lucas Mendes contou uma história sobre Richard Nixon digna das personagens de Kirsten Dunst e Michelle Williams no filme Dick. Enquanto isso, o mágico Obama tirou 30 mil soldados da cartola oportunista e o terceiro mundo pró-Irã continuou apostando na convulsão social.

No segundo bloco, o mais bem sucedido personagem das histórias em quadrinhos da Europa comemora 50 anos de resistência ao exército de Julio César e aos heróis americanos. Asterix rendeu filmes e vendeu mais de 300 milhões de exemplares – mas Ricardo Amorim gosta mais do Obelix do que do anti-herói cômico e debochado criado em uma noite para ensinar geografia ao Diogo. Falando em França, o presidente e a primeira dama apareceram em um episódio de The Simpsons – mas na vida real o Sarkô está viajando muito e a Carla está carente. Antes de irem para o intervalo com o mocinho Pedro Andrade os manhattans falaram ainda sobre os 40 anos de Sesame Street – programa que tem um site compreensivo guiado pelo adorável Cookie Monster (veja aqui) e teve uma versão brasileira com Sônia Braga (veja aqui).

A seguir, o tema do MC foi violência urbana. O programa recebeu a visita de Claudio Beato, que saiu do paraíso de Minas Gerais para dizer que o problema tem solução. O professor identificou bons exemplos em Belo Horizonte (onde houve integração do sistema de justiça) e em São Paulo (que incrementou a eficiência da delegacia de homicídios). Beato também respondeu a uma pergunta do Caio Blinder sobre Bogotá explicando que lá o case de sucesso se deu por conta da liderança e do envolvimento do prefeito. Enquanto isso, no Brasil o crime ainda é legitimado pelo governo de esquerda que faz uma equação contrária à lógica – pois políticas sociais genéricas não são suficientes. O assunto é interminável – mas o bloco é terminável, e acabou com uma entrevista de Pedro Andrade com Idan Raichel.

Para encerrar, os manhattans falaram sobre o genial contador de histórias Pedro Almodóvar. Seu novo filme, Abrazos rotos, mostra uma Penélope Cruz madura e sensual em um melodrama com traços do cinema noir. Não é o novo favorito do Pedro Andrade – mas é um espetáculo que mostra a maturidade do diretor. Eu adoro o Almodóvar, e concordo que mesmo um filme fraco dele é melhor do que a maioria dos filmes que existem por aí. Gostei de Abrazos rotos – mas tenho que dizer que achei o filme um tanto parado demais. Amei o começo, e acho que o filme foi excelente até a parte em que aparece a música da Cat Power. A partir deste ponto acho que o enredo perdeu o appeal e foi se arrastando até o final. A cena do restaurante, em que Judit revela o segredo da trama, tinha tudo para ser o clímax do filme – mas foi uma das cenas mais monótonas que eu já vi no cinema. Na verdade eu dou total razão ao Diogo, que prefere os primeiros filmes do Almodóvar, que eram mais escrachados, inovadores e engraçados. Aliás, o meu filme preferido dele é Laberinto de pasiones - do qual inclusive tirei o título “No vés que me cago?” para uma  biografia do cineasta que eu escrevi para uma revista em 2005. O site oficial de Abrazos rotos em espanhol está aqui, o site oficial em inglês aqui e o trailer aqui – e quem quiser ler meu texto sobre Almodóvar pode baixar as páginas escaneadas clicando nas figuras a seguir:

 

Não vou falar mais sobre o cenário do MC, pois já falei demais sobre ele no post passado. Além disso, qualquer pessoa que enxergue mais que o Mateo Blanco vê que o Ricardo e o Diogo não merecem aquela coisa nas costas deles, e que o melhor programa da TV brasileira deveria trocar aquela monstruosidade. Mudando de assunto, vou encerrar este post com notas pessoais: quero agradecer ao Lucas por ter se referido a mim como “blogueiro favorito”, e quero deixar um abraço para o Ricardo Rocha, que foi meu amigo na época da faculdade e foi quem me apresentou aos filmes do Pedro Almodóvar, do Luchino Visconti e do Robert Altman, entre tantos outros. Foi graças ao Ricardo que adquiri gosto pelo cinema e vontade de me profundar na história da sétima arte. Sem ele eu não seria o cinéfilo que sou hoje. Ah, e também quero mandar um abraço especial para a Heloísa Chagas, a sempre simpática amiga dos manhattans que faz aniversário esta semana. Parabéns!

Momento ManhaTIE Connection: a melhor gravata da semana foi a do Caio. O tigre de New Jersey fez uma homenagem a Almodóvar vestindo literalmente uma gravata de tigrinho digna do figurino de Laberinto de pasiones, e ganhou a medalha Sexilia. O mocinho Pedro Andrade foi com uma gravata preta e vermelha e ganhou o troféu Matador, e Lucas e Ricardo foram com gravatas parecidas de fundo azul e pontinhos brancos. Me lembraram as cores do filme Entre tinieblas, nas cenas em que a câmera mostra o ponto de vista da freira cozinheira que toma ácido – e dividiram a menção honrosa Sor Rata de Callejón (traduzida no Brasil como Irmã Rata de Esgoto – o melhor nome que Almodóvar já deu a uma de suas personagens).

 Momento My so-called life:

 
Everybody knows there’s, like, 50 guns at school at any given moment. And the fact that they haven’t gone off shows you what a totally safe place this is.

Rayanne

Bônus da semana: La concejala antropofaga (algo que poderia ser traduzido como A vereadora canibal), um curta-metragem que Pedro Almodóvar realizou durante as filmagens de Abrazos rotos com algumas personagens do filme dentro do filme. No final, mais uma prova do toque que transforma o banal em genial: o crédito de direção é de Mateo Blanco :-)


Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection


119º post – MC de 22 de novembro de 2009

:-)
 
 
O capitão Lucas Mendes começou a Conexão Pirata apresentando seus grumetes – inclusive o Pedro de Andrade. Esqueçamos as guerras e revoluções: o assunto mais importante da semana é Johnny Depp, o homem mais sexy do mundo segundo a revista People. Depois dele, a celebridade em pauta – e a única do Alaska – é Sarah Palin, uma profissional da autopromoção abençoada pelos liberais. Todo mundo quer ir para a cama com ela – mas não votam nem a pau. Sarah tem um site, uma página no Facebook e um livro (trecho aqui) – e foi tema da última Newsweek em duas matérias: Palin´s base appeal e Gone rogue. A conversa entre os manhattans continuou, mas confesso que não consegui prestar muita atenção – afinal no primeiro bloco do MC a gente demora um pouco para acostumar os olhos ao contraste de cenários do programa. O novo de New York ficou lindo, mas o do Rio, que sempre foi feio, ficou pior ainda na comparação. É difícil prestar atenção aos comentários do Diogo e do Ricardo cada vez que aquela monstruosidade aparece na tela, e acabei perdendo boa parte do debate. O que consegui pegar por alto foi que a Eslovênia vai ganhar a próxima copa do mundo, e que Ahmadinejad veio ao Brasil enforcar os opositores com a ajuda de nosso imoral presidente.
 
No segundo bloco, agora um pouco mais acostumado com o cenário tão indecente quanto um certo presidente sul-americano, acompanhei a tragédia dos imigrantes chineses na história longa – mas boa – contada pelo Caio com uma contribuição final do Diogo. Está tudo no livro The snakehead: an epic tale of the Chinatown underworld and the American dream, de Patrick Radden Keefe, que conta a história de Sister Ping e do navio Golden Venture. A dona Corleone de Chinatown está presa, um trecho do livro está aqui e o site do autor aqui. Brasil na imprensa: Brazil´s new standing threatened by Ahmadinejad visit, matéria do The Wall Street Journal sobre a ameaça da visita de Ahmadinejad à posição diplomática brasileira.
 
A seguir os manhattans receberam a visita de Monique Gardenberg, diretora do seriado Ó paí, ó, que nem eu nem os manhattans sabíamos que existia – mas que quer dizer Olha prá isso e foi indicado ao International Emmy. Muito simpática, a baiana Monique explicou que o episódio que concorre ao prêmio deu uma vestimenta pop a um microcosmo pobre e cheio de vida da sua terra natal – mas como o Diogo e o Ricardo participaram muito deste bloco e o cenário mudava a todo momento do bonito de NYC para o favelado do Rio, fiquei meio zonzo e não consegui prestar muita atenção à conversa. Só lembro do comentário do Ricardo de que os candidatos ao Oscar são selecionados pelo idioma. Mas eu, que não sou economista nem cineasta, mas sou cinéfilo, sei que a seleção é feita por nacionalidade e não por idioma. Foi assim que a Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar de melhor atriz por Central do Brasil, um filme brasileiro falado em português que, por ter sido comprado por um estúdio dos Estados Unidos, foi considerado americano e portanto elegível para as categorias principais.
 
O filme comentado no último bloco foi Pirate radio, que fala da explosão do rock britânico na década de 1960. Na época a BBC só tocava duas horas de rock por semana – mas os súditos britânicos dançavam ao som das rádios que transmitiam de alto-mar. Pedro achou o filme divertidíssimo – e eu também. Na verdade eu vi a primeira versão, lançada na Inglaterra no início deste ano com o nome de The boat that rocked e que em seguida foi parar na internet em alta definição. Para mim este foi um dos grandes filmes do ano, e fiquei curioso para ver se a versão americana reeditada é realmente melhor (eu acho que não). Os manhattans falaram ainda sobre Gigi Gaston, uma personagem montada com base em clichês que foi tema de uma exposição e da coluna Gigi, flor negra e falsa, de Lucas Mendes. Ainda falando sobre colunas e cinema: assim como qualquer pessoa sensata neste mundo, Diogo Mainardi não gostou de um certo filme sobre um certo presidente – e explicou o porquê em sua coluna Quem é o ‘Filho do Brasil’.
 
Apesar do cenário medonho que não seria aprovado nem para aparecer no filme do Lula, o programa desta semana foi bem light e divertido. Os manhattans escorregaram no cinema, mas trataram de assuntos bem diversos e interessantes. Só deixo uma sugestão: da próxima vez, falem mais sobre o Johnny Depp e menos sobre a Sarah Palin ;-)
 
Momento ManhaTIE Connection: todos os piratas do Manhattan Connection estavam super elegantes. Ricardo Amorim escolheu uma gravata de fundo azul e listras brancas, ficou tão galante quanto Errol Flynn e ganho o troféu Captain Blood. Pedro de Andrade usou uma gravata com fundo marrom e pontinhos claros – ficou o mais sexy e ganhou o prêmio Jack Sparrow. Lucas Mendes também foi de pontinhos – mas com fundo bordô, e ganhou a medalha Capitão Gancho. E não, eu não vou dar o troféu Papagaio-de-pirata para o Caio Blinder. Pelo seu conhecimento sobre Chinatown, o barbudinho do PT merece mais uma vez o prêmio She´s-my-sister-she´s-my-daughter-she´s-my-sister-she´s-my-daughter.
 
 Momento My so-called life:
Apparently Delia Fischer smiles at everyone. She probably comes from one of those small towns where everyone’s friendly and smiles at you for no reason. I hate that type of town.
 
Brian

Bônus da semana: o bônus é bem óbvio, mas realmente vale a pena: é o clipe da música Je suis perdue, de Gigi Gaston.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection