130º post – MC de 7 de fevereiro de 2010

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A Conexão Cavalo de Tróia começou jogando cicuta no calcanhar de Aquiles da Europa. A Grécia é o primo pobre e sua economia está em ruínas – e o socorro dos primos nem tão ricos assim anuncia uma tragédia grega. Especialista em Turquia, Caio Blinder explicou que a Grécia é um Brasil (ou uma Argentina?) onde se fala grego – e Ricardo Amorim disse que se os PIIIGs ruírem, a Europa toda vai junto. Conclusão: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, e pobre é bom. Mudando de rumo, a Ucrânia não tem acrópole mas é uma ruína – e o único vencedor da eleição será a Rússia. Enquanto isso, o milagre japonês já acabou em 1994, um Toyota é uma máquina perigosa e nem o sumô tem credibilidade.

No segundo bloco, Barack Obama não consegue fechar Guantánamo nem julgar suspeitos – e o próximo ataque terrorista pode vir de baixo e de dentro. A matéria The jihadist next door, publicada na revista do The New York Times (leia aqui), mostra que a distância entre o sul dos Estados Unidos e o norte da África pode ser pequena – e os perigos imensos. A irmã virou hippie, mas o moleque doidaço Omar Hammami pirou e virou um poster boy para o pessoal da Al Qaeda. A conexão do Brasil com o Irã pode ser uma cascata, mas os gays nas forças armadas ainda dão babado. A bomba explodiu por aqui também, e Diogo Mainardi disse pouco mas disse tudo: há alguma coisa mais gay do que um bando de homens sarados que adoram fardas e tomam banho juntos? Eu também acho que não.

A seguir, os presidentes vão – mas Helen Thomas, que em geral se dá bem com eles, fica. A repórter cobre a Casa Branca há 50 anos, e do teletipo ao Twitter já ouviu muita cascata e tem muito a dizer ao Mr. President no livro Listen up, Mr. President: everything you always wanted your president to know and do (site aqui, trecho aqui). O sitting Buddha Diogo Mainardi não conseguiria fazer tal trabalho infame – mas necessário. Brasil na imprensa: deu São Paulo afogada.

Para terminar, em vida já reverenciado como o maior escritor russo, Leo Tolstoy morreu com 82 anos de idade como patrimônio da humanidade – e o filme The last station acompanha seus dias finais com a condessa Sofya. Pseudo celibatário e vegetariano, o rapaz sabia como contar uma história e Helen Mirren e Christopher Plummer foram indicados ao Oscar – mas não vão levar. Nesta semana não tive tempo de assistir ao filme comentado no MC, então vou confiar na opinião do Pedro Andrade que The last station não é um espetáculo – mas é digno. Os manhattans falaram ainda sobre o Oscar – e se o James Cameron ganhar eu nunca mais vou entrar em um cinema.

O melhor: A jaqueta de couro do Pedro Andrade. O pior: Ricardo Amorim ter dito que a sexualidade é uma “opção”. Há muito tempo a ciência já comprovou que a sexualidade não é opção, e uma pessoa tão inteligente e bem informada como ele deveria saber disso. Fórum da semana: Quem são os Apolos – e quem são as Cassandras – da Conexão?

 Bastidores do MC: assista aqui ao papo futebolístico entre Ricardo Amorim e Diogo Mainardi :-)

Vídeo da semana: Who will comfort me, com Melody Gardot. Obs: o nome da música está escrito errado no site do GNT – mas menos desta vez foi apenas um erro, e não dois como na semana passada…

Aviso: a área de mídia do fã-clube do Manhattan Connection foi atualizada com arquivos de entrevistas de Paulo Francis, Arnaldo Jabor e Nelson Motta ao programa Roda Viva.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection


129º post – MC de 31 de janeiro de 2010

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Uma semana após o terremoto em Massachusetts os avalistas da Conexão Sem Fundos não viram Obama pôr o rabo entre as pernas – mas disseram que o leitor de teleprompter precisa manobrar o partido do não-não-não, seduzir os independentes e combinar com todos os deuses para que tudo dê certo na economia dentro do período de seu mandato. A mensagem é confusa e é impossível agradar a gregos, troianos e espartanos – principalmente quando 59 a 41 não significa vitória. A partida embola na matemática política e a ditadura da superminoria pode melar o jogo com uma regra abusada.

A seguir, perder a casa é humilhante mas pode ser um bom negócio. O calote voluntário deixou de ser estigma social e o caloteiro nem sempre é um canalha: ele pode não ter escolha – ou ser burro. Se o banco errou, deve pagar a conta. Essa é a regra do jogo – mas a aposta é perigosa, e Caio Blinder (que paga a hipoteca em dia) declarou que o Obama certo: abaixo os bancos!

Na sequência os manhattans receberam a visita do humorista – e  cineasta – Hélio de la Peña, que começou falando da TV americana que é tão diferente (e na minha opinião com muito mais bom senso) que a brasileira. Lucas mencionou o filme Four lions e a conversa foi de tabu nas piadas para o masoquismo no Twitter – e acabou com vacinas e compras.

No último bloco saíram Hélio de la Peña, Ricardo Amorim e Diogo Mainardi, e entrou Pedro Andrade. O filme The young Victoria mostra a rainha britânica menos vitoriana – e mais jovem, bonita e sensual. Licenças poéticas à parte, God save the queen – e o príncipe Albert também. Albert morreu cedo e para a desconsolada rainha sobraram os filhos, os netos e o império. O filme é da Emily Blunt – mas todo monarquista é cego e a chance de Oscar é zero. Eu achei o romance bonito (a cena da chuva é ótima!), mas o filme é de sessão de tarde e chama mais atenção pelos belos figurinos e cenários do que pela trama em si – tanto que para mim o melhor personagem de todos é o cachorrinho Dash. Pedro falou que o filme é gostoso mas não é indispensável, e eu acho que ele tem total razão – os manhattans deveriam ter falado sobre a estreia da terceira temporada de Damages, que seria bem melhor. O programa encerrou com o momento jabá indicando o livro Manhattan – arte contemporânea e algo a mais. God save Manhattan Connection.

O melhor: A continuidade da campanha contra os títulos ridículos de filmes em português. Desta vez Caio lembrou de Mr. Smith goes to Washington, que no Brasil foi lançado como A mulher faz o homem. E aqui vai minha contribuição: esta semana vi The great Buck Howard – que no Brasil recebeu o incrível e medonho título de A mente que mente. O pior: O nome de uma música tão famosa e popular como Psycho killer ter sido escrito errado no Manhattan Connection e no site do GNT. Imperdoável. Fórum da semana: Será que a fã do Caio vai devolver o dinheiro para o Diogo?

Vídeo da semana: Bad things, com Jace Everett – uma ótima música da maneira que ficou conhecida no mundo todo: na abertura do seriado True blood. Ah, e o nome dele é Everett com dois Ts mesmo, e não com um só como apareceu escrito no MC e no site do GNT.

Página inicial do fã-clube do Manhattan Connection


128º post – MC de 24 de janeiro de 2010

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A Conexão Camomila começou servindo um chá amargo em Massachusetts, onde um terremoto deixou os democratas em pânico e os radicais em festa, e em Washington, a nova Londres que é uma cafeína para a independência americana. Abençoado por Sarah Palin, o Tea Party não é um partido – é um movimento que é do contra, quer serviços sem pagar impostos e não dá colher de chá. Conectado à dinâmica política de Obama, Scott Brown posou nu e foi beneficiário da frustração geral – e foi tema da coluna A dose de Scott, de Lucas Mendes. Se Obama ainda é razoavelmente popular, sua política e seu partido não são – mas sua grande hipocrisia e seu populismo puro têm uma solução: basta o presidente dar uma guinada para a direita para não acabar como a tia Clélia – personagem da coluna Obama, Dilma e tia Clélia, de Diogo Mainardi. Depois de explicar por que nada dá certo no Haiti, o primeiro bloco terminou indicando os livros Trinta anos esta noite, de Paulo Francis (que quando foi relançado em 2005 foi tema da coluna Versão piorada de Francis, de Diogo Mainardi) e Ivald Granato – Gesture and art (site do artista aqui).
 
A seguir, Henry Luce criou a primeira revista de circulação nacional dos
Estados Unidos. Instrumento de propaganda da vida ordeira e dos valores americanos, a Time foi a base do império de comunicação do gênio meio canalha que dava rasteiras e que ganhou a biografia The publisher: Henry Luce and his American century, de Alan Brinkley. O Brasil não existia no século XX, mas hoje suas revistas semanais têm a extraordinária oportunidade de hierarquizar a informação e fazer reportagens inéditas. Ainda no assunto comunicação, os manhattans anunciaram a morte sem good bye da programação brasileira do canal Bloomberg e falaram sobre o boom dos cosméticos na  favela de Paraisópolis – tema da matéria Beauty business turns heads in Brazil, do Financial Times (para ler, clique aqui).
 
O terceiro bloco fez uma conexão entre ideologia e profissão. Você é liberal como um professor, conservador como um policial ou mulher como uma enfermeira? A pauta sacada tem um viés sociológico – mas é tão cheia de ressalvas que nem Ricardo Amorim, o banqueiro de esquerda, e Diogo Mainardi, o jornalista que não é jornalista, conseguiram torná-la muito interessante. Felizmente, o segmento foi salvo pela matéria do Pedro Andrade - que nos levou para um charmoso passeio pela Big Apple indicando a Gagosian Store e o restaurante The Wright.
 
Para terminar, Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, de Michael Haneke, será páreo duro em Hollywood. Alemão, deprimente, sombrio e austero, o filme não engana com suas imagens pastorais: as crianças são vítimas e demônios, e dias piores virão. Cada um pensa o que quiser, e Pedro Andrade achou o filme meio arrastado apesar de ser uma obra-prima e ter um elenco que beira a perfeição. Eu confesso que fiquei com receio de ficar entediado como em Caché – mas achei Das weisse Band bem mais interessante e nem um pouco monótono. O visual é muito lindo, a trama prende a atenção e o final me remeteu a alguns filmes do Luis Buñuel – tenha esta sido ou não a intenção de Haneke, que afinal está mais interessado no conflito do que no desfecho. Será que o Tigrão de New Jersey também notou a semelhança, ou estava muito chapadão para perceber?
 
O melhor: Caio não ter ido nu ao programa. O pior: Caio não ter ido nu ao programa. Fórum da semana: Por que o Ricardo e o Diogo nunca assistem aos filmes comentados no MC?
 
Vídeo da semana: Little L, com Jamiroquai.