
O blog do fã-clube do Manhattan Connection deixou de ser atualizado em 28 de novembro de 2011. Novos comentários e links serão postados apenas na página do fã-clube no Facebook.
Obrigado pela visita :-)
Marcos Alexandre

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Para os histéricos da Conexão Superego, o supercomitê foi um superfracasso – graças ao superdesconhecido Grover Norquist, o temido lobista superpoderoso que trabalha nas sombras. A causa virou religião e a religião virou culto para mandar os hereges para o inferno – deixando Obama com uma patética estratégia e uma pergunta: Newt Gingrich vai para a fogueira ou não vai? No Egito ninguém tem extintor de incêndio, mas a fogueira que importa é a da Síria, pois nem as mandingas diárias do vidente Diogo Mainardi estão conseguindo assar o Assad. Enquanto isso, na Europa os patetas bananas não mentem e estão todos abraçados com a Angela, que nunca foi santa – mas é a salvadora e vai ajoelhar à beira do precipício.
No segundo bloco, Karl Marx morreu outra vez no livro Love and capital – Karl and Jenny Marx and the birth of a revolution (trecho aqui). O manifesto de Mary Gabriel entrou na vida privada (e contraditória) do pequeno burguês que vivia a dialética na pele e que era, antes de tudo, um sinhozinho normal. As teorias estúpidas do cabeção fizeram as cabecinhas da Jenny e do Engels – mas não a do Lucas Mendes, que ganhou mais dinheiro que Marx escrevendo a coluna Papa Marx. Brasil na imprensa: Fresh look for author, and the land he lauded.
A seguir, o mundo precisa de mais um filme sobre Freud e Jung. David Cronenberg não fez análise mais explica a libertação do corpo e das ideias em um tratamento de primeira classe com A dangerous method, um filme de história maluca contada com bizarrice e lançada como isca para pescar Oscars. Se o Pedro Andrade até sonhou com o ménage à trois, então o filme deve ser pelo menos um pouco interessante para ser analisado, não?
Mais interessante ainda é a sincronicidade digna de Jung: justamente o meu post sobre a edição do MC que falou de muitas mortes e suicídios, e que foi chamado de triste e deprimente pelo Lucas, é aquele em que anuncio o fechamento do blog do fã-clube do Manhattan Connection. Infelizmente, a partir de hoje o blog e o fã-clube continuarão no ar somente em forma de arquivo, sem novas atualizações. Farei novos comentários e postarei links apenas na página do fã-clube no Facebook.
Muito obrigado a todos pela audiência por todos esses anos, e fiquem sempre ligados no melhor time político e econômico da TV brasileira – e no melhor guia de New York.
Marcos Alexandre

Para os descendentes da Conexão Herança Maldita, a primavera árabe é uma criança embalada pelo Qatar – que com seus poços, antenas e contradições prega a ideologia e o oportunismo. O país é nota 10 – ganhou 9,5 em hipocrisia e 0,5 em democracia – e transformou o poder econômico em uma ideia cultural dominante. Enquanto isso, a Europa está cheia de austeridade e os europeus não são idiotas, pois estão dispostos a fazer sacrifícios quando veem alguma coisa no horizonte – nem que sejam as fotos da blogueira nua ou vingt bouteilles de vin. Nos Estados Unidos, o movimento Occupy Wall Street é coisa de desocupado – e Hugo Chávez está mais popular que o Congresso.
No segundo bloco, os manhattans receberam Paulo Blikstein, freguês da escolinha que ganhou o Oscar da educação e uma grana preta adaptando a ciência para a educação com modelos computacionais e laboratórios de prototipagem rápida.
A seguir, o diretor preguiçoso Alexander Payne fez poucos filmes em 15 anos. Sua safra é pequena – mas preciosa, e sua herança ficou mais rica com The descendants, em que o paraíso havaiano é um dos personagens imperfeitos com sentimentos inesperados. Pedro Andrade adorou, riu, chorou e se identificou – assim como seus colegas da NBC, emissora que é assim com o poder apesar dos conflitos de desinteresse dos filhos de presidentes. Falando em presidentes, o programa terminou com cenas destes passando a mão no peru.
Com mulheres nuas e perus de presidentes, o MC desta semana foi meio hardcore – mas foi também nostálgico. Lembrei de quando ouvia a rádio quatro vezes vinte mais dezesseis FM em Paris, e de quando vi pela primeira vez o filme Election. Não conhecia o Alexander Payne e vi o filme por acaso na TV – e juro que fiquei intrigado pensando que era uma produção co-dirigida por John Waters e Woody Allen. Se The descendants for melhor que Election, vou torcer para o filme ganhar vários Oscars – mesmo que seja lançado por aqui com um nome como Paraíso insólito ou Quando as almas se encontram – o que, aliás, é muito provável. Paulo Blikstein, fica a dica para sua próxima pesquisa: como educar os funcionários das distribuidoras brasileiras de filmes?

Todo mundo sabe que o Manhattan Connection é o melhor programa da TV, mas ninguém sabe por que os manhattans nunca acertam quando se referem à diversidade sexual. Para eles, é fácil saber quando um ditador foragido vai ser encontrado e assassinado ou quando o preço do petróleo vai subir – mas saber o que é um travesti é impossível.
Nos comentários sobre o filme J. Edgar, Lucas Mendes e Pedro Andrade mais uma vez se atrapalharam com as definições de drag queen, travesti e crossdresser. Para os dois, e para quem ainda tem dúvidas, resolvi resgatar e publicar aqui parte de um texto que escrevi há alguns anos, na minha época de colunista de cinema. Nele, coloquei as definições corretas dos termos e exemplos cinematográficos:
Drag queens são homens homossexuais que usam nomes chamativos, fantasias extravagantes e maquiagem exagerada para se apresentar profissionalmente como caricaturas do sexo oposto em shows de dublagem geralmente seguidos de conversas engraçadas com o público. No sucesso australiano de 1994 The adventures of Priscilla, queen of the desert (Priscilla, a rainha do deserto), de Stephan Elliot, Anthony e Adam são drag queens que cruzam o deserto fazendo shows ao lado da amiga transexual Bernadette.
Transformistas também se vestem como alguém do sexo oposto para uma apresentação artística – mas ao contrário de drag queens, não usam nomes extravagantes nem fantasias exageradas, e não são necessariamente homossexuais. Em 1982, Julie Andrews foi indicada ao Oscar pelo seu papel em Victor/Victoria (Vítor ou Vitória), de Blake Edwards, em que interpretou uma cantora que se faz passar por um homem transformista que se faz passar por uma mulher. Complicado? Então tome cuidado para não confundir transformistas com crossdressers.
Enquanto transformistas se apresentam em manifestações artísticas, crossdressers são pessoas que gostam de vestir roupas do sexo oposto em ocasiões pessoais. Em 1994, Tim Burton realizou Ed Wood, cinebiografia do diretor famoso por ser o pior de todos os tempos. Uma das cenas mostra a filmagem de Glen or Glenda, primeira obra rodada por Wood e que conta a história de um homem que não sabe como contar à esposa que deseja vestir as roupas dela. O ano era 1953, e o personagem Glen foi interpretado pelo próprio Wood – que na vida real gostava de usar roupas da namorada. Os crossdressers também foram muito bem representados pelo veterano Danny Aiello, cujo personagem veste conjuntinhos Chanel para tomar chá com a namorada no filme Prêt-a-Porter (1994), de Robert Altman.
Altman é responsável também por um ótimo personagem transexual no surpreendente filme Come back to the five and dime Jimmy Dean, Jimmy Dean (James Dean, o mito sobrevive) de 1982. Transexual é alguém cuja verdadeira identidade está em desacordo com o sexo com o qual nasceu. Depois de uma curta e mal-sucedida carreira no seriado Beverly Hills 90210 (Barrados no baile), Hilary Swank ganhou o Oscar e o Golden Globe por interpretar Tenna Brandon, que vai para uma cidade do interior e, mesmo antes de passar pelo processo cirúrgico de adequação, passa a viver como homem. A história de Teena, filmada no ano 2000, rendeu mais de trinta prêmios para o filme Boys don’t cry (Meninos não choram), de Kimberly Peirce.
Enquanto os transexuais são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico e procuram alterá-lo cirurgicamente, os travestis são pessoas homossexuais que se apresentam como pertencentes ao sexo oposto durante as 24 horas do dia, mas sem rejeitar seus órgãos genitais. Ganhador do Oscar e do Golden Globe de melhor filme estrangeiro de 1999, Todo sobre mi madre (Tudo sobre minha mãe), de Pedro Almodóvar, mostra um caminhoneiro que se torna travesti, coloca seios e passa a apresentar-se como mulher – porém mantendo seus órgãos sexuais masculinos.

Com cinco Romeus e uma Julieta, a Conexão da semana estreou no anfiteatro global comentando a chanchada interminável. O Oscarito paspalhão fez uma bagunça danada e a tragédia grega roubou a cena na reunião do G20. O coro vaiou e ninguém levantou a mãozinha – pois todos querem votar com a bolinha branca e a bolinha preta ao mesmo tempo. Caio Blinder deu A melhor definição para a Grécia e contou quem foi a Europa (e não à Europa), e depois de uma conversa que se repete todas as semanas finalmente a cortina do primeiro ato fechou nos mostrando um refúgio aconchegante.
A seguir, os manhattans descobriram algo de podre nos campos americanos. A novela dos imigrantes continua e quem é mais qualificado procura emprego no vizinho de cima. Os videntes não sabem quem vai ganhar a parada e nem por quanto tempo a situação vai ficar ruim, mas sabem que o palco republicano virou Moulin Rouge: está de pernas para o ar. Falando em videntes, o oráculo grego de New Jersey errou e Herman Cain terá 9 horas, 9 minutos e 9 segundos de fama enquanto Obama o assiste de camarote.
No terceiro ato, foi ele ou não foi? Roland Emmerich deveria ter continuado com seus blockbusters, mas fez um filme que lança dúvidas sobre a obra do gênio William Shakespeare. Em Anonymous a teoria conspiratória conta os fatos como se fossem verídicos – mas é tudo intriga da oposição, pois Shakespeare chupou tramas e escreveu tudo que havia para ser escrito com seus versos milagrosos. E a cortina fechou com o livro Habana libre.
A peça desta semana foi ótima como sempre e os nossos atores favoritos merecem aplausos – principalmente o Ricardo Amorim, que fugiu de São Paulo (é notável a diferença na interação dos manhattans quando eles estão na mesma bancada). Só fica uma questão: quando os MC vai tirar a Grécia de cartaz e nos mostrar as outras coisas importantes que acontecem fora do radar?

Vâmo-que-vâmo: na véspera do dia dos mortos e com todas as letras, LM, CB, RA e DM acompanharam o nascimento do bebê-estrela. Agora somos Sete bilhões, mortos de fome, mortos de gordura. Quando se tem um problema sempre há um espertalhão que surge com uma solução – mas neste caso o problema não é encolher nem inchar: é a gravata de ótimo gosto do Caio Blinder. Melhor mudar de assunto e continuar batendo na madeira.
A seguir, 99% dos americanos estão contra 1% dos ricos – ou é o contrário? Na matemática dos protestos um slogan vale muito, mas parece que ninguém tem 100% de razão pois os ativistas são folclóricos e o processo não leva a absolutamente nada – a não ser à revelação de quem tem a melhor pronúncia em francês. J’accuse: Lucas ocupou a Wall Street e o estado-babá é insustentável e injusto. Nos Estados Unidos até a Sesame Street aderiu – mas a Europa contrariou o Ricardo e saiu do buraco. Tá tudo resolvido – mas o que foi resolvido mesmo? Perguntem ao casal Merkozy. Ou ao Eurípedes Alcântara.
O terceiro bloco começou com o filme Margin call, ainda sem título em português porque a sua distribuidora brasileira não decidiu entre Chamada de margem, Apertem os cintos o dinheiro sumiu ou, no espírito do Halloween, A hora do ex-banco. De qualquer forma, o nome-desastre vai combinar com este filme-desastre que mostra o que acontece nas 24 horas anteriores a uma vaca ir para o brejo. Para PA, a estreia do diretor JC é sóbria e madura, e ele conseguiu translate um tópico difícil para o público. Outro diretor mencionado nesta edição do MC foi Artur Ratton, brasileiro em ação por trás do projeto Brazilian guittar fuzz bananas – The movie.
Até a semana que vem, com melhor time político e econômico de New York e o melhor guia da TV brasileira.

Os saltimbancos do Espetáculo Sem Fim foram direto ao ponto: o fim brutal do Kadafi, que morreu no exercício da ditadura. Se ele morreu lutando ou fugindo é uma questão a ser decidida pelo Nostradamus de New Jersey e pelo vidente, profeta e paranormal Diogo Mainardi, que mandou beijinhos e aplausos para o Sarkozy e para o Obama. O quiromante Ricardo Amorim leu a mão da Líbia e previu que o fundo do poço do petróleo vai ser mais fundo – e que o céu é o limite. Tudo começou com os radicais moderados na Tunísia – e Vamos desejar os melhores votos para a Tunísia, até por nós. Enquanto isso, a crise na Europa nunca foi um drama e continua uma farsa – e a eleição na terra da rainha Cristina mostra o outro lado da mesma moeda. Por aqui, o time da dona Dilma ganhou cartão vermelho e no México a poesia é a arma dos meheecans que protestam em prosa e verso: ¡Vamos Mantequilla! ¡Orgullo!
No segundo bloco os manhattans receberam o convidado Sergio Herz, que contou como sua avó começou a Livraria Cultura alugando livros para os vizinhos. Antes do intervalo, Pedro Andrade mostrou o musical Addonis Family On Broadway. Não sei de onde tiraram este nome – mas espero que tenha sido um erro genuíno e que isso não seja obra de algum funcionário de distribuidora brasileira de filmes trabalhando na produção do programa que resolveu escolher um título escabroso para a peça The Addams Family.
Esta edição encerrou com a boniteza de Ryan Gosling, ator canadense com sabor para todos os gostos que começou comendo muito arroz com feijão em filmes independentes e hoje é o sucessor do cinquentão George Clooney – e da Christina Aguilera. Já vimos o filme The ides of March – e pelo jeito já vimos Drive também, já que este é um mix de Quentin Tarantino e David Lynch (de qualquer forma, valeu a boa fica de filme como há algum tempo não víamos no MC). Depois dos protestos folclóricos e das 10 cidades americanas mais zangadas, Lucas Mendes nos deixou com duas dúvidas: se abóbora afunda e se o Pedro Andrade tem mais boniteza que o Ryan Goslin. Para responder à primeira questão, basta viajar para Veneza e jogar uma abóbora no canal. Para responder à segunda, é mais fácil: vá para a área de mídia do fã-clube do Manhattan Connection e assista ao Pedro Andrade Reel. Acesse clicando na imagem abaixo. It´s reel good.